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Piranhas são encontradas no Rio Grande após aparecerem no Lago de Furnas e preocupam pescadores em MG

Foto: Arquivo Pessoal / José Carlos Rodrigues

O surgimento de piranhas no Lago de Furnas e os novos registros da espécie no Rio Grande têm preocupado pescadores e especialistas do Sul de Minas. Os primeiros relatos ocorreram em municípios como Guapé, Carmo do Rio Claro e São José da Barra. Na última sexta-feira, um pescador de Passos encontrou uma piranha presa em sua rede durante uma pescaria no Rio Grande e acabou sendo mordido ao tentar retirar o animal.

A presença da espécie na região levanta preocupações sobre os impactos ambientais, os riscos para a população e a necessidade de monitoramento para identificar os locais onde os peixes estão sendo encontrados.

O pescador Baltazar dos Reis Silva contou que encontrou o animal ao recolher a rede na manhã de sexta-feira, após uma pescaria iniciada na quinta-feira. Ao tentar retirar a piranha, acabou sendo mordido.

“Eu tava pescando de quinta pra sexta e de manhã, fui tirar a rede e encontrei ela. Aí no momento que fui pegar, ela mordeu a minha”, relatou.

Baltazar demonstrou preocupação com a possibilidade de aumento da população de piranhas no Rio Grande. Segundo ele, a presença da espécie no local é inesperada, e a expansão pode dificultar o controle dos animais.

Com cerca de 20 a 25 anos de experiência na pesca, o pescador afirmou que nunca havia capturado uma piranha naquela região. Seus únicos registros anteriores ocorreram no Rio São Francisco, há aproximadamente duas décadas.

“Mas tem uns 20 anos, 25 anos que eu pesco. Mas nunca tinha pegado aqui no Rio Grande, não. Só lá. Lá tem muita, né? Então, aqui não esperava ter esse peixe. E agora surgiu”, disse.

Diante dos registros, o presidente da Colônia dos Pescadores, João Batista Rodrigues, orientou pescadores profissionais, mergulhadores e frequentadores da região a redobrarem a atenção.

Ele também ressaltou a importância de comunicar novas ocorrências à entidade, para que os casos sejam registrados e encaminhados aos órgãos responsáveis.

“Então a colônia passa a avisar para vocês que realmente quem gosta de pescar de murinete ou dar mergulho ou pesca profissional, que realmente estão pegando piranha. Então, é uma coisa que é perigosa”, afirmou.

Rodrigues destacou a necessidade de avaliar os riscos e identificar os locais onde os animais estão sendo encontrados. Entre as medidas mencionadas, está a possibilidade de instalar placas ou outros avisos para alertar a população sobre a presença da espécie.

O presidente reforçou que novos relatos devem ser comunicados à Colônia dos Pescadores, permitindo ampliar o levantamento dos registros e contribuir para as providências necessárias.

O biólogo Michael Silveira Reis explicou que a piranha é uma espécie invasora na região, pois não é nativa nem típica do local. Segundo ele, sua presença pode alterar a cadeia alimentar e ameaçar espécies de peixes já existentes no Rio Grande.

Entre os peixes que podem ser afetados, o especialista citou o lambari, o mandi e a tilápia. Ele também alertou para os possíveis riscos aos frequentadores que utilizam o rio para atividades de lazer, como banhos e natação.

“Ela pode tirar toda a cadeia alimentar desse local, ou seja, predar todos os peixes que já existem nesse local, o lambari, o próprio mandi, a própria tilápia, e trazer grandes riscos para a própria população também”, explicou.

De acordo com o biólogo, a presença das piranhas pode provocar um desequilíbrio ambiental e aumentar o risco de ataques a pessoas que frequentam o local.

Michael Silveira Reis apontou duas hipóteses para explicar como as piranhas chegaram à região. A primeira é a soltura intencional dos animais por pessoas, prática que, segundo ele, caracteriza crime ambiental.

O especialista explicou que algumas pessoas podem introduzir espécies em novos ambientes por acreditarem que as condições locais são favoráveis à sua sobrevivência. No entanto, essa atitude pode provocar impactos ambientais.

A segunda hipótese envolve o transporte de animais por meio da água acumulada em embarcações. Segundo o biólogo, barcos que navegam em regiões onde as piranhas ocorrem naturalmente podem transportar água contendo esses animais.

Ao chegarem a outros locais, as embarcações podem liberar essa água, introduzindo a espécie em ambientes onde ela não é nativa.

“Uma outra situação é uma introdução às vezes pela água de lastro, a água de barcos, que às vezes um barco que foi lá na Amazônia, ou que esteve em um local onde tem o peixe, a água acumula no barco, traz aquele animal acumulado no barco e o barco vai navegar, vai trafegar por aqui e acontece que essa água escoa nesse local e acaba soltando esses animais”, explicou.

O biólogo ressaltou que a comunicação de novos casos é essencial para identificar os pontos de ocorrência das piranhas e avaliar possíveis medidas de controle.

Segundo ele, o mapeamento permitirá conhecer a distribuição dos animais ao longo do médio Rio Grande e poderá auxiliar em eventuais ações de captura e retirada da espécie.

“O registro é importante para que possa identificar os pontos onde essas piranhas estão. Porque se houver a necessidade de fazer uma captura, uma busca desses animais para retirada desse local, então nós sabemos os pontos onde eles estão localizados”, afirmou.

O especialista destacou que o levantamento dos locais onde os peixes estão sendo encontrados é fundamental para orientar as ações futuras.

 

Com informações do G1