As previsões das eleições presidenciais de 2022 indicam a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula. Até o momento, não existe uma terceira via viável. Doria, apesar de sua importante contribuição para a agilização da vacinação, não conseguiu fazer seu nome ganhar alcance nacional. Ciro e Moro têm poucas chances.

Lula traz o histórico de ter exercido dois mandatos presidenciais. Foi reeleito e conseguiu eleger sua sucessora, apesar do escândalo do Mensalão  (a envolver a administração federal e parlamentares da base aliada em um esquema de compra de apoio político). Adotou políticas sociais (fome zero, bolsa família). Na crise americana do subprime, em 2008, implementou uma política econômica anticíclica exitosa, com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Encerrou o governo com alta popularidade (83% de aprovação ótima ou boa), com grande crescimento econômico e pleno emprego.

Bolsonaro, em meu entender, faz uma má condução dos assuntos públicos. Negligenciou o combate ao desmatamento e queimadas, destruiu os mecanismos de fiscalização ambiental, não atuou para evitar crise energética, omitiu para evitar a volta da inflação e falhou no combate do coronavírus (desestimulou medidas preventivas (isolamento social e máscaras), indicou medicamentos sem comprovação científica, atrasou a aquisição de vacinas). Chamou a pandemia de “gripezinha”, previu que ela causaria menos mortes do que o H1N1 em 2019 (cerca de 800), mas ela superou no dia 19.06.2021 a marca 500 mil mortos e 18 milhões de infectados, com incontáveis sequelas físicas e psíquicas.

Não existe no horizonte possibilidade de impeachment de Bolsonaro, apesar do Senado Federal ter instaurado Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Covid-19, e ter provado erros no combate ao coronavírus.

O desgaste de Bolsonaro até as eleições, gerado por seus erros, não é garantia de derrota eleitoral. Recentemente, o Mensalão fez Lula perder apoio, mas reabilitou-se com o reforço das políticas sociais, com o PAC e, com isso, garantiu sua reeleição.

Bolsonaro aposta na polarização e no ressurgimento da rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Lula aposta na força do PT e procurará enfatizar os ganhos obtidos em seu governo e os retrocessos ocorridos no governo de Bolsonaro.

Jair Bolsonaro tem mais de 30 anos de vida política e, mesmo com atuação medíocre no cargo de deputado federal, conseguiu seguidas reeleições, baseado no apoio da extrema direita e dos militares. Em 2022, apesar de ter feito um péssimo governo, não se estranhará a sua vitória, devido a sua expertise política, o uso do aparelho estatal para angariar votos (reajuste do bolsa família, benefícios para militares, etc.), a reativação da economia após o pior momento da pandemia, a utilização dos meios digitais de propaganda e de veiculação de fake news, a ênfase do antagonismo de direita/esquerda.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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