Formiga

Prefeitura não atende pedido de moradores e criadouro de dengue no Santa Luzia continua

Quase meio milhão de casos de dengue foram notificados em todo o país, 240% a mais que no mesmo período do ano passado. A maioria é na região Sudeste, seguida pelo Centro-Oeste, Nordeste e Norte.Em Formiga a situação não é diferente, no último levantamento feito pelo Setor de Endemias, até o dia 17 de março, 82 casos da doença e 800 casos suspeitos haviam sido registrados.

Mesmo com a situação crítica em que se encontra a cidade, o Setor de Endemias não atendeu o chamado dos moradores da rua Isa Marinho, no bairro Santa Luzia, onde um criadouro do mosquito se formou.

De acordo com informações colhidas no local, duas empresas formiguenses e a própria Prefeitura retiraram terra de um barranco localizado na rua e dessa forma, mudaram o curso d’água de uma mina que nasce no local. Sem ter para onde correr, a água empossou e virou uma piscina que abriga centenas de larvas do mosquito.

No dia 10 de abril, o jornal divulgou uma matéria informando a situação. Segundo informações colhidas no local, ao menos um morador de cada residência da rua está com dengue, sem contar os casos confirmados e os suspeitos da doença em moradores que residem em vias próximas do criadouro, garantem os moradores.

Na ocasião (há três semanas), a redação do jornal entrou em contato com a Prefeitura para saber quando seriam tomadas providências para resolver o problema, mas nenhuma resposta foi enviada e nenhuma providência foi tomada. Enquanto isso, mais pessoas estão ficando doentes. Dois dias após a matéria ser veiculada, uma das moradoras que entrou em contato com o jornal, foi diagnosticada com a doença.

Segundo a mulher, todos os moradores da via já entraram em contato com o Setor de Endemias.“Falta de avisar e pedir uma solução para o Setor de Endemias não foi, mas o descaso é maior do que a obrigação da administração com a população. A resposta que me deram foi a de que o local onde a mina está não é de responsabilidade do Setor de Endemias, por isso não podem fazer nada. O foco está no final da nossa rua, ainda é área urbana e mesmo que não fosse, a administração é responsável por eliminar o foco em todas as áreas da cidade seja urbana ou rural é o que diz a legislação municipal. Tenho a lei em mãos, sei dos meus direitos e dos deveres da administração e exijo o que está seguro em lei”, disse a moradora.

A lei citada pela moradora é a de nº 4433 de 7 de abril de 2011, que em seu artigo 13 afirma que deverão orientar o Programa Municipal de Controle da Dengue as seguintes ações: inciso I – intensificar as ações de combate físico, químico ou biológico ao vetor em toda área do município.

No artigo 16, da mesma lei, parágrafo único é dito que – A autoridade sanitária terá livre ingresso, mediante as formalidades legais, em todas as habitações coletivas, bem como a estabelecimentos de qualquer espécie, terrenos cultivados ou não, privados, públicos ou mistos, logradouros públicos, e neles fará observar o disposto nesta lei para o controle da dengue.

Cansados de esperar uma solução por parte da administração, alguns moradores tentaram retirar manualmente a rocha que bloqueou o curso natural dá água, mas devido ao tamanho da mesma e ao peso, não conseguiram. “Queremos apenas que a Prefeitura mande funcionários com algumas ferramentas, ou um trator para tirar a pedra e desobstruir a passagem da água. A solução é muito simples”, disse um dos moradores.

Mais uma vez o portal tentou contato com a Prefeitura, mas a Secretaria de Comunicação não enviou nenhuma nota.

Redação do Jornal Nova Imprensa