Sete dos 11 integrantes efetivos da CPI da Covid e dois suplentes divulgaram nota na noite dessa quarta-feira (2) na qual atribuem à “pressão da sociedade” e ao “trabalho desta CPI” o teor do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional de TV.

No pronunciamento, Bolsonaro prometeu vacinas para todos os brasileiros “que assim o desejarem” até o fim do ano — durante a fala do presidente, houve panelaços em todo o país.

No sábado (29), milhares saíram às ruas em todo o país em manifestações de protesto que reivindicaram vacinas, auxílio emergencial e o impeachment de Bolsonaro. A cúpula da comissão parlamentar de inquérito diz já ter comprovado que o governo recusou vacinas e montou um “gabinete paralelo” que dava orientações discrepantes em relação às dos especialistas em saúde.

No pronunciamento, Bolsonaro prometeu que todos os brasileiros que quiserem serão vacinados até o fim do ano contra a Covid-19. Até agora, passado cerca de um ano e meio do início da pandemia, o ritmo de vacinação é lento no Brasil. Até esta terça-feira, 10,6% dos brasileiros (22,6 milhões de pessoas) tinham recebido duas doses de vacina, necessárias para assegurar a imunização.

“A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais”, dizem os senadores no texto.

De acordo com os senadores, a “inflexão” de Bolsonaro veio com um atraso de 432 dias, desde 24 de março do ano passado, quando o presidente classificou a Covid como “gripezinha”, também em um pronunciamento em rede nacional de TV.

Para os parlamentares que assinam o documento, o atraso de 432 dias é “desumano” e “indefensável”.

Eles também afirmam que o governo não se empenhou na compra de 130 milhões de doses da CoronaVac e da Pfizer em 2020, o que seria suficiente para imunizar cerca de metade da população vacinável do Brasil.

“A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.”

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelos integrantes da CPI:

NOTA PÚBLICA

A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’.

Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.

A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas.

Omar Aziz- Presidente CPI

Randolfe Rodrigues – Vice Presidente CPI

Renan Calheiros – Relator

Em apoio

membros efetivos:

Tasso Jereissati

Otto Alencar

Humberto Costa

Eduardo Braga

Suplentes:

Alessandro Vieira

Rogério Carvalho

Fonte: G1

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