Uma pesquisa feita com 130 operários chineses expostos diariamente a altos níveis do produto químico bisfenol-A, encontrado em resinas e plásticos, e outros 88 trabalhadores livres dessa substância revelou que os primeiros apresentavam baixa contagem de esperma entre duas e quatro vezes mais que o segundo grupo.
O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA e é o primeiro a avaliar a interferência do composto na qualidade do sêmen. O levantamento sobre o efeito do bisfenol-A na saúde ocorre duas semanas após o Canadá incluir o produto na lista de substâncias tóxicas.
O que ainda não se sabe é se a baixa contagem de espermatozoides e outros sinais de má qualidade do sêmen se traduzem na redução da fertilidade. O autor do estudo, De-Kun Li, cientista da Divisão Permanente de Pesquisas Kaiser, em Oakland, Califórnia, sustenta que homens podem ter filhos mesmo com contagens de espermatozoides muito reduzidas.
Mas a descoberta de Li de que o bisfenol-A pode afetar o esperma é preocupante porque se relaciona com pesquisas em animais e segue a linha de seu estudo anterior com os mesmos homens, que faz uma ligação entre a exposição ao composto e problemas sexuais. Se essa exposição pode diminuir os níveis de esperma, isso não pode ser algo positivo e são necessários novos levantamentos para verificar se há outros efeitos nocivos, segundo Li.
O bisfenol-A é usado na fabricação de resinas e no endurecimento de plásticos e encontrado em garrafas plásticas, embalagens de alimentos com revestimento de metal, selantes dentários e óculos. A urina da maioria dos norte-americanos contém níveis mensuráveis do composto.

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