Entre os dias 18 e 22 de outubro, o professor de Geologia e Mineralogia do Unifor-MG, Anísio Cláudio Rios Fonseca, esteve na região Norte de Minas Gerais, próximo à cidade de Bocaiúva, com o objetivo de concluir um trabalho de avaliação da viabilidade de exploração de quartzo em uma propriedade rural.
A atividade se relaciona ao Laboratório de Mineralogia do Centro Universitário de Formiga, já que visou coletar amostras, informações e experiências na área de garimpo, além de dados sobre segurança no campo. Parte da pesquisa feita na ocasião pelo professor é realizada junto à aluna do 6o período de enfermagem Tamirys Machado Ferreira.
O professor Anísio Fonseca conta que é impressionante a grande quantidade do mineral retirado do solo na região e que são muito interessantes as histórias relacionadas ao enriquecimento inesperado das pessoas que acham peças de alto valor. ?Segundo informações de um morador local, uma grande peça de quartzo foi encontrada, recentemente, e vendida por R$700 mil? .
De acordo com o professor, o trabalho para se arrancar essas riquezas ocultas no solo é brutal e perigoso e pode acarretar em mortes, devido à falta de infraestrutura nas escavações, que são feitas de maneira artesanal. ?Em uma casa na propriedade, havia cerca de 500 quilos de quartzo estocado em um quarto, para ser trabalhado pelos garimpeiros ilegais que militam por ali e estavam utilizando a casa como abrigo? .
Anísio Fonseca explica sobre o processo de lapidação do mineral. ?O garimpeiro retira da terra o quartzo hialino com inclusões diversas. Em seguida, ele utiliza um martelo próprio para lascar a peça e retirar as partes que não servem para lapidação, restando, assim, um núcleo com qualidade de gema e reduzindo o peso para transporte. Então, o material é embalado e vendido a compradores diversos, inclusive estrangeiros.? .
Além da questão dos impactos ambientais locais, causados pela atividade artesanal, o professor chama atenção para o fato de que muitos desses garimpeiros levam uma vida difícil e invadem terras alheias para retirar seu sustento. ?Muitas vezes, o meio do garimpo pode ser violento. Segundo informações do guia, recentemente, dois garimpeiros morreram soterrados na região?.
Outro destaque apontado pelo professor é quanto à imensa riqueza biológica da região. ?O bioma se assemelha ao da Serra da Canastra. Diversas plantas estão floridas, emprestando uma beleza sem igual a toda a região. O relevo do local é imponente e a grandeza das serras encanta até o mais desavisado dos observadores. As águas transparentes das cachoeiras devem suas características ao substrato rochoso, constituído de arenitos, quartzitos e filitos? , descreveu.
A pesquisa desenvolvida pelo professor, juntamente com a aluna Tamirys Ferreira, analisa aspectos sobre os perigos das atividades de campo e as maneiras de se solucionar problemas, quando não é possível o atendimento médico. Mais informações sobre pesquisas de mineralogia desenvolvidas pelo Prof. Anísio estão disponíveis também no Fórum Fabre de Minerais, no endereço http://www.foro-minerales.com/forum/.

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