Formiga

Reino Unido julga polícia britânica por erros no caso Jean Charles de Meneses

A Polícia de Londres começou a ser julgada hoje, 01/10, pela acusação de violar regras de saúde e segurança do público na operação que resultou na morte de Jean Charles.
De acordo com a promotora Clare Montgomery, houve erros chocantes e catastróficos e a morte do brasileiro poderia ter sido evitada.
Montgomery também ressaltou que Jean Charles foi confundido com um homem-bomba, mas teve liberdade para subir e descer de um ônibus antes de entrar no metrô.
O julgamento, que deve durar seis semanas, abre caminho para um inquérito sobre a atuação da polícia no caso.
A Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) se defende apontando a pressão criada pela iminência de ataques terroristas à capital britânica.
Jean Charles foi morto com oito tiros no dia 22 de julho de 2005,na estação de metrô Stockwell, duas semanas após atentados a bomba que mataram 52 pessoas e deixaram mais de 700 feridos e um dia após novos ataques frustrados na cidade.
Familiares e defensores de Jean Charles têm expressado seu desapontamento com uma série de decisões que, segundo eles, reforça a impunidade da polícia no caso.
Um ano após a morte do brasileiro, a Promotoria britânica anunciou que nenhum policial seria acusado individualmente pelo episódio.
Em vez disso, a Polícia Metropolitana como um todo seria processada por violar leis de saúde e segurança do público.
Um relatório publicado neste ano revelou atrasos e problemas de comunicação com rádio. De acordo com o documento, houve confusão sobre se Menezes era apenas um suspeito ou se havia ordens expressas para atirar contra ele.
Os policiais de baixa hierarquia envolvidos no episódio foram inocentados de inquérito.
Em fevereiro deste ano, uma das oficiais que supervisionava a operação, Cressida Dick, foi promovida ao quarto cargo mais alto da Scotland Yard.
Ian Blair, comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Met), se recusou a renunciar ao cargo, mesmo após as fortes críticas da diretoria da corporação por sua condução no caso que resultou na morte do brasileiro.