Em 2001 detectamos o problema, o mesmo que agora se repete, e o denunciamos em nosso jornal impresso (Nova Imprensa)na edição de número 223, que circulou no dia 25 de maio daquele ano.
De lá para cá, pouca coisa mudou. A retirada de areia continuou e como era de se esperar, a calha do rio, rebaixada pela ação predatória ou pela total falta de controle no que toca à volumes extraídos, mais uma vez coloca a descoberto as fundações da ponte.
A Polícia Ambiental, o Ministério Público, a Defesa Civil e o Prefeito Municipal foram por nós cientificados das precárias condições da rodovia -(ponte)- e esperamos que providências em defesa da vida, assim como da preservação ambiental, sejam tomadas de imediato.
Àquela época (2001), prefeito, vereadores, MP e outras autoridades se mobilizaram em torno da questão, defendendo o Meio Ambiente e exigindo providências por parte do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem ? DNER ? quanto a reforma da estrutura da ponte.
Durante vários meses, o prefeito de então, Juarez Carvalho, liderou as negociações junto ao antigo DNER, hoje Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes DNIT – (Brasília) ? em busca de uma solução para o problema. Feitas as vistorias e constatado o precário estado da ponte, aquele órgão, por ofício, chegou a determinar a proibição de tráfego pesado no local e em janeiro de 2002 iniciaram-se os trabalhos de sondagem e de reforço das fundações.
Agora, decorridos menos de seis anos de concluída a obra, com a não interrupção dos trabalhos de retirada de areia, aconteceu o que já era de se esperar: o problema voltou e desta feita com maior intensidade.
Ao que apuramos, os números de portos de retirada de areia aumentou. Uns com autorização (legalizados), outros não. As exigências dos órgãos fiscalizadores, segundo constatamos, indicam que há mais de um peso e de uma medida sendo aplicado por ali.
Parece que a burocracia vem favorecendo a uns e outros, pois em dois portos, um de frente ao outro, um está sujeito ao IEF de Arcos e o outro, salvo engano, depende de Lavras.
De qualquer forma, no nosso entender, a maneira predatória e irregular com que se retira a areia nas proximidades da ponte ? (mesmo que com alvará, licença e tudo o mais, ou sem tais requisitos) – é a causa única de, mais uma vez, a calha do rio haver sido rebaixada em mais de 5 metros neste curto espaço de tempo e a ponte se encontrar hoje, novamente em situação precária, com suas fundações à mostra, e pode novamente estar colocando em risco a vida dos usuários da rodovia. O ideal seria que o DENIT, após vistoria, como fez em 2001, se pronunciasse a respeito, assumindo a responsabilidade no que toca a segurança dos usuários.
Segundo apuramos, a extração de areia da forma como tem sido feita, já foi objeto de vistoria da Polícia Ambiental que, há alguns anos, embargou a atividade naquele local. Ao que parece, por ordem judicial -(mandado de segurança) – , as atividades de exploração minerária foram restabelecidas.
Firulas jurídicas à parte, o importante é ressaltar que apesar do cumprimento de algumas exigências legais (do IEF e outros) por um dos mineradores, (por outros, não) – , a continuar esta situação, provado está que, para o bem estar de uns poucos, mais uma vez o meio ambiente está sendo seriamente prejudicado e a vida dos usuários da rodovia pode novamente estar sendo colocada em risco, além de os danos ambientais visíveis, de grande monta e irreversíveis.
E mais: o mais provável é que novos recursos públicos federais sejam mais uma vez disponibilizados para a execução de outros reparos e reforço nas fundações da ponte (se ainda houver tempo e condições técnicas para tal).
Será que a retirada de areia, como aconteceu até agora, continuará livre e garantida por licenciamento concedido por algum burocrata que, certamente, sequer sabe onde se localiza o rio Santana? No papel, acreditamos, isto é sim, legal; é burocrático; é Brasil! Mas, e na prática?






