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Revolução de 1932 completa 87 anos nesta terça-feira

Nesta terça-feira (9) comemora-se em São Paulo o início da Revolução Constitucionalista de 1932. A data é lembrada desde 1997, ano em que o então governador do estado, Mário Covas (PSDB), sancionou a lei que instituiu o feriado.

O levante, conhecido como Revolução de 1932, foi protagonizado pelo Estado de São Paulo juntamente com Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, contra o governo provisório do presidente Getúlio Vargas.

Uma vez no poder, Vargas dissolveu o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais, medida que concentrou diversos poderes na figura do presidente. Os estados assistiam à perda da própria autonomia, pois Vargas passou a indicar interventores para o Executivo e o Legislativo local.

“A revolução nasce da contrariedade dos paulistas com o golpe de Getúlio Vargas, em 1930. O presidente deveria ser Júlio Prestes, mas Getúlio alegava que as eleições teriam sido fraudadas, por isso, São Paulo descontente também por outras razões, como a crise cafeeira, pedia novas eleições”, explica professor de história Douglas Bortolini.

São Paulo, um dos pilares da República Velha (1889-1930), período que antecedeu a chegada de Vargas ao poder, via sua influência na política nacional diminuir. O novo cenário desagradou as classes médias e oligarquias cafeeiras paulistas.

Reunidos em torno da Frente Única Paulista (FUP), formada pelo Partido Democrático e o Partido Republicano Paulista, os paulistas descontentes com o Governo Federal passaram a se articular para exigir a nomeação de um interventor paulista civil e a convocação de uma Assembleia Constituinte.

“Vargas começou a presidência de maneira tempestuosa por isso, a população se uniu pedindo uma nova constituição e também clamando novas eleições”, afirma.

Mas havia também paulistas apoiadores de Vargas. Eles eram representados pelo Partido Popular Paulista (PPP), que agregava desde intelectuais comunistas a egressos do movimento tenentista.

Foto: Agência Estado/1932

A tensão entre os dois grupos atingiu o seu ápice no dia 23 de maio de 1932. Nesse dia, centenas de pessoas saíram às ruas para protestar contra Vargas. À noite, cerca de 300 manifestantes tentaram invadir a sede do PPP, que ficava na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a praça da República.

Quatro homens morreram no dia 23: Euclides Bueno Miragaia, 21, Mario Martins de Almeida, 31, Dráusio Marcondes de Sousa, 14, e Antonio Camargo de Andrade, 30.

O episódio tensionou ainda mais o conflito. Com as iniciais dos nomes dos que foram mortos, os revolucionários paulistas batizaram a organização paramilitar que criaram para lutar contra o governo Vargas: MMDC.

Luta

Liderados pelo general Isidoro Dias Lopes, os paulistas investiram contra as forças federais. A luta armada eclodiu no dia 9 de julho de 1932, mas não se estendeu por muito tempo.

Voluntários paulistas durante a revolução (Foto: Divulgação)

Os paulistas não dispunham do mesmo contingente e nem de armamento compatível com o Exército e a Marinha. Até matracas, instrumento musical de percussão, foram utilizadas pelos revolucionários para simular o barulho de metralhadoras.

No dia 23 de julho, sob o comando do coronel Herculano Silva, o MMDC abandona a luta. A rendição foi em 1º de outubro, um dia antes do governo revolucionário ser deposto.

Apesar da derrota, no ano seguinte eleições foram convocadas para uma Constituinte. Em 1934, uma nova Constituição foi promulgada.

As razões da Revolução Constitucionalista foram alvo de estudos de diversos historiadores, e a interpretação dos acontecimentos da época mudaram ao longo do tempo. Duas correntes ajudam a entender o movimento.

Participação da mulher na revolução

O papel da mulher na Revolução Constitucionalista, que aconteceu em 1932, no estado de São Paulo, começa a ser resgatado por historiadores e pesquisadores. Vários nomes fizeram parte dessa história, como Maria Sguassábia, Maria José Barroso e Pérola Byington.

Segundo Ricardo Peres, historiador do Mackenzie, a Revolução Constitucionalista foi um marco da participação feminina em revoltas armadas.

“A mulher sempre teve um papel muito secundário na sociedade, sempre foi um papel de bastidor, cuidando da família. A Revolução de 32 é a primeira vez que a mulher, no Brasil, participa efetivamente de uma revolução”, explica.

Uma das participantes dessa luta foi Maria Sguassábia. Ao ver um desertor do exército paulista, tomou sua farda e combateu com seu irmão em uma das trincheiras paulistas, disfarçada sob o nome “Mario”.

“Ela, posteriormente, acabou perdendo o cargo de professora. Por ter estado junto aos homens, foi dispensada de sua profissão. Naquela época o preconceito era muito forte”, explica Ivone Cavalcanti, bibliotecária da Biblioteca Constitucionalista.

Uma das recordações da Revolução Constitucionalista é a contribuição de Maria José Barroso, que acabou conhecida como Maria Soldado, e se alistou na Legião Negra, divisão formada por 3.500 homens negros. Inicialmente, Barroso seria enfermeira, mas, com o decorrer do conflito, acabou pegando em armas.

Com a rendição de São Paulo, Maria José acabou voltando à sua rotina. “Como uma mulher simples, ela vendia quitutes, os salgadinhos que ela mesma produzia, e os vendia em frente ao Hospital das Clínicas. Muitas vezes ela falava para as pessoas que havia lutado na revolução de 32 e os homens não acreditavam. Afinal, nos anos 30, como era possível uma mulher ter lutado no front?”, disse Sergio Marques, historiador e major da Polícia Militar (PM).

Outra mulher que não combateu, mas teve um papel fundamental na Revolução de 32 foi Pérola Byington, que organizou um movimento pró-infância e que também cuidava dos feridos que voltavam da frente de batalha.

Hoje, depois de todo seu trabalho, ela empresta seu nome a um hospital no Centro da cidade que é referência no tratamento das mulheres.

“O que todas essas mulheres têm em comum é a coragem, comum na mulher paulista. Desde o começo da história de São Paulo a mulher paulista não foge à luta”, finaliza Ivone.

 

 

 

Fonte: Com portais de notícias ||