Ciência e Saúde

Risco de morte materna cai até 31% entre quem recebe o Bolsa Família

Foto: © Arquivo/MDS

Estudos realizados ao longo da última década por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, indicam que o Bolsa Família está associado à redução da mortalidade materna e infantil no Brasil. As análises também apontam queda na incidência de doenças infecciosas e em internações relacionadas a transtornos mentais.

Os dados, obtidos a partir de grandes bases nacionais de saúde e assistência social, reforçam o impacto do programa na redução de desigualdades e na melhoria de indicadores de saúde entre populações em situação de vulnerabilidade.

Uma das evidências mais consistentes identificadas pelos pesquisadores está relacionada à saúde materna e infantil.

Entre mulheres beneficiárias do programa, o risco de morte por causas ligadas à gravidez e ao parto foi até 31% menor em comparação com aquelas que não recebem o benefício.

Segundo os estudos, esse resultado está associado a fatores como:

  • Maior acesso ao pré-natal;
  • Ampliação do acompanhamento nos serviços de saúde;
  • Cumprimento de condicionalidades do programa.

As pesquisas também analisaram mais de 4 milhões de nascimentos. Os dados mostram que gestantes beneficiárias tiveram menor probabilidade de dar à luz bebês com baixo peso ao nascer.

O impacto foi ainda mais significativo entre mães pretas e indígenas. Além disso, os estudos identificaram:

  • Redução de partos prematuros;
  • Queda de 16% na mortalidade de crianças menores de cinco anos entre famílias atendidas.

O conjunto de pesquisas também apontou efeitos relevantes sobre doenças relacionadas à pobreza e à vulnerabilidade social.

No caso da tuberculose, os beneficiários apresentaram:

  • 41% menos incidência da doença;
  • 31% menor risco de morte após o diagnóstico.

Entre indígenas, a redução da mortalidade foi ainda mais expressiva.

Resultados semelhantes foram observados em relação ao HIV/Aids. O acompanhamento de mais de 22 milhões de brasileiros indicou:

  • Menor incidência da doença;
  • Redução da mortalidade;
  • Melhores indicadores entre os grupos mais pobres.

Os estudos também identificaram:

  • Redução de casos de hanseníase em áreas de alta transmissão;
  • Aumento da adesão ao tratamento;
  • Maior taxa de cura entre beneficiários.

Na área da saúde mental, os dados também apontam impactos significativos.

Um dos estudos indicou que a taxa de suicídio foi 56% menor entre pessoas atendidas pelo programa.

Outras análises mostraram ainda:

  • Redução de internações por transtornos psiquiátricos;
  • Menor ocorrência de problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas;
  • Efeitos mais fortes em municípios com maior pobreza.

Para o epidemiologista Mauricio Barreto, da Fiocruz Bahia, os resultados evidenciam a relação direta entre fatores sociais e desfechos em saúde.

“Reduzir a pobreza e incentivar o uso dos serviços de saúde, educação e assistência social deve fazer parte dos esforços para tornar a população brasileira mais saudável”, afirmou.

O pesquisador também destacou que o Sistema Único de Saúde (SUS), aliado a políticas de proteção social como o Bolsa Família, potencializa os resultados na saúde pública.

Os resultados foram apresentados em um webinar que reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir achados da chamada Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros.

As análises utilizaram dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), cruzados com informações sobre:

  • Nascimentos;
  • Internações hospitalares;
  • Notificações de doenças;

Segundo os pesquisadores, a metodologia utilizada permite comparar grupos semelhantes e estimar com maior precisão os efeitos da transferência de renda ao longo do tempo.

 

Com informações da Agência Brasil