O número de divórcios no Brasil registrou um aumento histórico em 2010, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o país alcançou a marca de 243.244 uniões desfeitas oficialmente. Isso significa que 1,8 em cada mil brasileiros com 20 anos ou mais desfez os laços matrimoniais legalmente no ano passado. O número é 36,8% maior que o de 2009.
Em Minas Gerais, a situação não é diferente. Apesar de registrar aumento no número de casamentos, em 2010, segundo o IBGE, o Estado também constatou mais separações de casais.
Os mineiros só perdem para os paulistas em número de casamentos que não resistiram à promessa de união até que a morte os separe. No ano passado, foram selados 109.832 casamentos, contra 28.419 separações. Em 2009, 26.479 casais se separaram. Na capital, foram 5.772 separações em 2010.
O estudo confirma que a mudança constitucional, em vigor desde julho do ano passado e que desburocratizou o processo de separação, impulsionou as estatísticas de divórcio no país. Para o gerente de estatísticas do IBGE, Claudio Crespo, está claro que os casais que optaram de forma consensual em colocar fim ao casamento estão se beneficiando da agilidade no processo.
A institucionalização do divórcio no Brasil completa 35 anos em 2012. Ao longo desse tempo, o processo passou por várias modificações até a mudança mais atual que extinguiu a necessidade de separação prévia do casal antes do processo de divórcio.
Segundo a advogada e especialista em direito de família, Márcia Lino Cançado, a procura pelo divórcio é crescente a cada dia. Os escritórios de advocacia estão constantemente lotados de casais que buscam formalizar as dissoluções conjugais, justificou a advogada.
A relações públicas Danielle Tavares, 35, se aproveitou das facilidades da nova lei. O casamento de nove anos chegou ao fim, oficialmente, em setembro deste ano, em apenas 15 minutos de audiência num cartório. Fiquei mais tempo esperando o advogado chegar do que assinando os papéis.
Para o psicólogo Cláudio Paixão as pessoas hoje estão mais preocupadas com realizações pessoais e o casamento não é a única alternativa para a felicidade. Para os que não querem entrar nas estatísticas de divorciados, ele dá uma dica: as pessoas têm que negociar as condições da vida a dois, como num contrato emocional para que não haja frustrações.
Na contramão, casal comemora 70 anos juntos
O casal Marieta Rosa, 91, e Geraldo Cordeiro do Carmo, 93, está na contramão das estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este ano, ambos comemoram 70 anos de vida em comum e creditam o sucesso do casamento à fórmula do respeito, paciência e cuidado. Mesmo completando bodas de vinho, Marieta diz que não aguenta ficar sem a companhia do marido. Para Geraldo, a união é algo eterno. Quem casa não pode se divorciar. É para vida inteira, disse.
A recém-casada Mariana Junqueira, 28, também não pretende seguir o fluxo dos divorciados. Ela diz que acredita no velho clichê felizes para sempre. Foi mais de um ano planejando a cerimônia, que aconteceu no último dia 11. Sabia que estava fazendo a coisa certa. É para sempre, garante.

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