Formiga

Só 15% de recursos viraram obras completas para a Copa

Do total de recursos públicos que estão sendo investidos em Belo Horizonte para as obras de mobilidade visando à Copa do Mundo, apenas 15% já terão se revertido em obras que serão plenamente utilizadas pela população até junho, quando acontece a Copa das Confederações, evento teste para o mundial.
Dos cerca de R$ 1,35 bilhão, de fontes federais, estaduais e municipais, que estão financiando as intervenções viárias e o BRT (Transporte Rápido por Ônibus), apenas a obra do Boulevard Arrudas, com custo de R$ 213 milhões, ficará pronta para o evento, que começa em menos de 40 dias.
O atraso, que não estava previsto no cronograma original da prefeitura, não é visto como problema pelo secretário municipal extraordinário para a Copa do Mundo, Camillo Fraga Reis. Cidades em obras são comuns no ambiente da Copa das Confederações. Aconteceu na Alemanha e na África do Sul, afirma. Segundo dados que levantamos com a Fifa, 90% dos ingressos foram comprados por pessoas da cidade ou do próprio Estado. É um evento-teste e nem tudo precisa estar pronto, justifica.
Dos 43 novos hotéis previstos para serem construídos na capital para a Copa do Mundo, apenas 11 ficarão prontos para a Copa das Confederações, com a inclusão de pouco mais de 3.800 novos leitos.
Embora seja pequeno o número de turistas esperados para o evento, Belo Horizonte vai receber milhares de jornalistas estrangeiros, já que a cidade será a central de transmissões do evento. Pela Lei da Copa, aprovada em 2010, os hotéis que se beneficiaram de incentivos legais para serem construídos na capital precisam ficar prontos até dia 30 de março de 2014, sob risco de pagamento de multas.
Maquiagem
Para o coordenador do curso de gestão de projetos de construção e montagem do Ietec, Ítalo Coutinho, a Copa das Confederações, que acontece em junho, será pautada por ações paliativas. É a maquiagem para resolver momentaneamente o problema. Vamos fazer o mínimo, diz. Ele afirma que há mais erros do que acertos na preparação da capital para as Copas. O que percebo é que falta unicidade de gerenciamento para o evento. Como o país não recebe uma Copa há 63 anos, dimensionou-se mal. Agora, se nada for feito, do jeito que está, vamos fazer uma Copa simplória, observa.
Ele ressalta que os erros não estão apenas no que se refere ao atraso das obras, mas também nos gastos. Os orçamentos acabam estourando. Ficam acima do que foi previsto inicialmente.
O coordenador da área de Transporte e Trânsito da Universidade Fumec, Márcio José de Aguiar, atribui os atrasos a falta de planejamento e a disputas políticas.
O especialista afirma que as obras, em especial as de mobilidade urbana, esbarraram na demora das desapropriações e do repasse de recursos, mas acima de tudo nas disputas políticas.
Segundo ele, o BRT é um modal complementar a um sistema de grande capacidade e que tem uma área de abrangência limitada. O monotrilho talvez fosse a melhor opção, opina.