O número médio de transmissão da Covid-19 por pessoa infectada (Rt) em Belo Horizonte vinha se mantendo sob controle desde 24 de setembro. Mas, nessa segunda-feira (5), voltou a cruzar o patamar do estado de alerta e chegou a 1,02. Isso significa que cada pessoa contaminada pelo coronavírus pode transmitir a doença para mais de uma outra. A capital mineira fechou a última semana com uma taxa de 0,94, na sexta-feira (2).  

“Isso indica interrupção na queda de casos, porém ainda há estabilidade nos números. A elevação de Rt para valores que oscilam em torno de 1 é fruto da maior exposição das pessoas, com a redução do isolamento social. A manutenção de valores próximos ou abaixo de 1 depende do cumprimento rigoroso dos protocolos colocados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), conjugados aos cuidados individuais, como uso de máscaras, higienização frequente das mãos e, sempre que possível, distanciamento social”, elaborou a prefeitura da capital, por meio de nota. 

De acordo com o governo municipal, a preocupação será maior se o indicador permanecer por muito tempo acima de 1 ou em 1,2, valor que ela considera crítico. Esse cenário poderia provocar aumento dos casos graves e pressão na infraestrutura de saúde. O infectologista Estêvão Urbano, integrante do comitê de enfrentamento à Covid-19, pontua que manter o Rt acima de 1 durante uma semana a dez dias é o mais preocupante. 

“Se ele continuar aumentando, aumenta a ocupação de hospitais e, pode, inclusive, haver mais mortes e ser necessário regressão no sistema de flexiblização da cidade. A pandemia não acabou. Às vezes, as pessoas não conseguem entender isso e acham que está tudo bem”, ressalta. 

Por ora, a taxa de RT é o único dos três indicativos da pandemia analisados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que passou para o nível amarelo, de alerta. Mas a ocupação dos leitos de UTI também subiu e está em 39,9% — na sexta passada, era 35,4%. Já a ocupação de leitos de enfermaria diminuiu de 35,4% para 33,7%. Até subirem ao nível de alerta, os números precisam chegar a 50%. 

Na sexta, o boletim do projeto Monitoramento Covid Esgotos, que contabiliza as amostras do vírus na rede de esgoto da cidade, também apontou aumento de potenciais infectados. Em uma semana, os doentes podem ter passado de 60 mil para 220 mil. A atualização corresponde ao período entre 21 e 25 de setembro, e os autores da pesquisa afirmam que é necessário aguardar os resultados da próxima sexta (9) para averiguar se há tendência de aumento de doentes em BH.

Oficialmente, o município registra 43.304 confirmações da doença e 1.288 óbitos.

Fonte: O Tempo Online

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