O tráfico aéreo de drogas pode movimentar até R$ 3,3 bilhões por ano paras as diversas quadrilhas que atuam no Triângulo Mineiro. Esse valor é superior em mais de três vezes às riquezas produzidas pelo setor agropecuário de Uberaba e Uberlândia, que, em 2012, chegaram a R$ 966 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A atividade lucrativa e de baixo risco tem atraído para Minas bandidos de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e enriquecido quadrilhas que já atuavam no Estado. Cada quilo de pasta-base de cocaína é comprado na fronteira do Brasil com o Paraguai por US$ 3.000 e revendido no país pelo dobro (US$ 6.000). Os aviões que chegam ao Triângulo carregam, em média, 200 kg da droga, o que permite que em apenas uma viagem gere mais de U$ 1,2 milhão para os traficantes.

Como as estimativas da Polícia Federal (PF) mostram que são cerca de cem pousos por mês na região, seriam movimentados US$ 120 milhões. Em 12 meses, seria US$ 1,4 bilhão. Fazendo a conversão para reais, o tráfico por aviões no Triângulo movimentaria, anualmente, R$ 3,35 bilhões.

Essa alta lucratividade combinada com o baixo risco diante da dificuldade de fiscalização faz com que os criminosos invistam nessa prática. ?Com interesse nesse ?dinheiro fácil?, diversas quadrilhas que atuavam no interior de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão migrando para o Triângulo, e líderes de quadrilhas daqui estão enriquecendo?, explicou o delegado da Polícia Federal em Uberlândia, Carlos Henrique D?Ângelo.

O negócio é lucrativo para os traficantes e também para os pilotos contratados pelas quadrilhas, que chegam a ganhar US$ 80 mil por viagem. Porém, mesmo com esse valor, os bandidos têm encontrado dificuldade para contratar pilotos brasileiros experientes, pois eles estariam com medo das ações da PF. Em seis operações, dois pilotos e um copiloto morreram em confrontos com a polícia. Segundo as investigações da PF, recém-formados em escolas de pilotagem estão sendo aliciados para fazer a rota do Paraguai até o Triângulo, além da contratação de pilotos paraguaios que cobram mais barato.

O lucro para o traficante pode ser ainda maior, principalmente se o produto chegar até a Europa, onde um quilo de pasta-base de cocaína vale R$20 mil, o equivalente a R$ 63 mil.

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