Desde a década de 90, quando a especialista em psicologia do trânsito Cecília Bellina desenvolveu um tratamento pioneiro para pessoas com medo de dirigir, baseada na Terapia Comportamental Cognitiva (TCC), surgiram muitas clínicas no país oferecendo tratamento parecido. A maior parte deles, apenas para quem já tem a habilitação. Bellina, porém, incluiu em seu método pessoas que, como eu, sabem de seu medo antes de entrar em um carro pela primeira vez.
A descoberta pode acontecer no momento em que, incentivado por um parente ou amigo, o interessado em dirigir tem a clássica experiência de pegar o carro em uma rua deserta. É só pisar na embreagem até o fim, engatar primeira, soltar o pé lentamente da embreagem e acelerar na mesma proporção, sutilmente. O susto do primeiro tranco ou a ideia de que dominar uma máquina pela primeira vez, sem nenhum conhecimento, é fácil pode tirar, para sempre, futuros bons motoristas das ruas.
Na Clínica, quem tem medo de dirigir, mesmo sem nunca ter sonhado em entrar em um veículo, pode fazer todo o processo com o apoio terapêutico. No meu caso, tentei fugir até do psicotécnico e do Centro de Formação de Condutores (CFC). Não fosse pelo apoio da equipe, certamente teria desistido.
Aprender os primeiros comandos do carro com um profissional treinado para lidar com pessoas que têm medo de dirigir também é um diferencial indispensável. Eles sabem que tipos de reação podemos ter e qual a melhor maneira de nos ajudar a enfrentá-la, sem riso, crítica ou receio que poderiam colocar tudo a perder.
Essa opção é mais uma oportunidade para quem realmente quer vencer o medo. Mas é preciso mesmo querer. Afinal, o medo pode desempenhar um importante papel em nossa vida: o de impedir muitas experiências, a maioria delas compensadora.

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