Ao completar 112 dias de paralisação, os professores das universidades federais discutem nesta quarta-feira (5), em todo o Brasil, se a greve deve ou não continuar.
Em Minas Gerais, há indicativos de fim do movimento. O Sindicato de Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros (APUBH), que representa os cerca de 2.800 docentes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recomendou que a categoria vote a favor do retorno às aulas.
O Instituto de Ciências Exatas (Icex) e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG saíram na frente e já optaram por voltar ao trabalho, independentemente da posição nacional. Com isso, três cursos retomaram o ano letivo: história, que interrompeu a paralisação há duas semanas, gestão pública, anteontem, e filosofia, que volta às atividades hoje. Outros 11 cursos de ciências exatas e humanas recomeçam o calendário escolar na próxima semana.
As assembleias para decidir o rumo da greve ocorrem hoje e amanhã, em todo o Brasil. Na sexta-feira (7), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) divulga a decisão final. Segundo o professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e integrante do Comando Nacional de Greve (CNG), Hélcio Queiroz Braga, a intenção é encontrar uma saída unificada, que valha para todas as universidades.
Se a posição for mesmo pelo fim da greve, as aulas devem ser retomadas a partir da próxima segunda-feira. O presidente da APUBH, João Maurício Lima de Figueiredo Mota, disse que não há mais perspectiva de negociação com o governo federal neste ano, por isso o sindicato optou por recomendar o término do movimento. Vamos colocar essa ideia nas assembleias. A intenção não é acabar com o movimento, mas o interromper no momento, afirmou.
Insatisfação
Segundo Mota, a possível retomada das aulas não significa que a categoria tenha feito acordo.Ninguém está satisfeito. O que o governo propôs é só reajuste salarial, mas a reestruturação da carreira ficou ainda pior. No entanto, o governo lavou às mãos e fechou as portas para a negociação, avaliou.
A Andes, que representa todas as universidades federais do Estado – exceto a UFMG -, declarou, em comunicado, que alguns elementos precisam ser considerados nas assembleias, como as reais possibilidades de reabertura das negociações em curto prazo.
O presidente do comando local de greve da Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, Eric Araújo, aposta na manutenção da greve, em virtude da indignação da categoria. Todos estão desgastados.








