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Universidades federais pagaram R$ 2,9 milhões em salários indevidos em Minas

Foto: Divulgação/ Redes sociais

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que 150 funcionários de três universidades federais em Minas Gerais receberam remunerações acima do teto constitucional dos servidores, atualmente em R$ 33,7 mil. De acordo com dados da Secretaria de Controle Externo no Estado de Minas Gerais (Secex/MG), órgão fiscalizador do TCU, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram constatados 140 servidores recebendo valor indevido, na Federal de Uberlândia (UFU) são nove e um na Federal de Ouro Preto (UFOP).

O montante pago acima do teto aos servidores, entre janeiro de 2015 a junho de 2016, segundo o TCU, totaliza R$ 2.988.842. Na UFMG, a soma é de R$ 2.533.602, e na UFU, de R$ 446.986. Na UFOP, um funcionário recebeu R$ 8.253 acima do limite e, nesse caso, o tribunal determinou a devolução dos montantes. Em relação às outras duas universidades estão em andamento processos específicos, que vão determinar medidas a serem adotadas.

A ministra do TCU Ana Arraes, relatora das apurações da auditoria, determinou que em 60 dias a contar da notificação as três universidades devem suspender os pagamentos de valores que superem o teto constitucional dos servidores públicos. As remunerações acima do limite ocorrem devido aos repasses de recursos de retribuições e bolsas por parte das fundações de apoio a pesquisas, que acabam incorporadas aos salários.

Porém, há legislação que disciplina o relacionamento entre essas fundações e as instituições estabelecendo o limite salarial, atualmente de R$ 33,7 mil, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em reunião da 2ª Câmara do TCU, com base nos levantamentos da auditoria nas três instituições federais de ensino superior, e visando ao cumprimento da legislação, os ministros do Tribunal de Contas da União determinaram que UFMG, UFU e UFOP façam incidir o teto sobre a soma da remuneração paga pelas universidades, com as retribuições e bolsas creditadas a cada servidor pelas respectivas fundações de apoio, interrompendo o pagamento de valores acima do limite, sob pena de responsabilidade solidária.

No prazo de 60 dias, o TCU determinou que as universidades exijam de suas fundações de apoio a divulgação, nos seus sítios na internet, de todas as informações relativas à execução de contratos, convênios, acordos ou ajustes firmados nos termos da lei. E, em caso de descumprimento, sejam adotadas providências, inclusive quanto à manifestação para renovação do registro de credenciamento junto ao Ministério da Educação e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

À Universidade Federal de Ouro Preto, especificamente, além do ressarcimento do valor pago a mais no salário de um servidor, foi recomendado o tombamento de patrimônio, com apresentação, no próximo relatório de gestão, das informações sobre a conclusão de inventário atualizado dos bens móveis da instituição.

O TCU também encaminhou recomendações à UFMG e à UFU, relacionadas a gestão junto às fundações de apoio. E determinou o envio de cópia do processo às direções de outras oito universidade federais e seis institutos técnicos federais, para que não ocorram as mesmas irregularidades.

A Universidade Federal de Minas Gerais foi procurada, mas não se manifestou. A Universidade Federal de Uberlândia informou que aguarda as recomendações do TCU para adotá-las. A Federal de Ouro Preto, por meio de nota, informou que tem pleno interesse em resolver a questão, dentro do que é preconizado pela legislação brasileira e pela ética do serviço público, e que está a pronta a adotar os procedimentos necessários.

 

 

Fonte: Estado de Minas||https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/06/07/interna_gerais,874937/universidades-federais-pagaram-r-2-9-milhoes-em-salarios-indevidos.shtml