Era uma manhã de terça-feira em Belo Horizonte, feriado do Dia do Trabalhador, quando moradores do bairro São Francisco, na região Noroeste, foram surpreendidos por tiros. O alvo: um catador de papel conhecido como Coroa, que trazia no bolso um cachimbo desses usados por dependentes de crack. Começava ali o balanço de homicídios registrados em maio na capital. Foram contabilizadas 65 vítimas da violência sem freio que segue em alta em todo o Estado.
O índice de maio é 16% superior ao último levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), em janeiro deste ano, quando houve 56 assassinatos. Desde então, a Seds mantém em sigilo os dados de Belo Horizonte, sob a justificativa de que vai publicar em breve um balanço semestral dos crimes no período.
O resultado foi uma média de dois assassinatos por dia, o que confirma que não houve diminuição da violência registrada em 2011. No ano passado, ocorreram 762 assassinatos, uma frequência de 63 mensais – aproximadamente dois por dia.
Os números deste ano tornam-se preocupantes se forem levadas em conta as 11 ocorrências de maio classificadas pela polícia como achado de cadáver, sendo que pelo menos cinco vítimas tinham sinais claros de agressão. Além disso, 19 pessoas sofreram tentativas de homicídio e foram levadas para hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Entre os oito que ficaram internados nos hospitais João XXIII e Risoleta Neves, todos sobreviveram. Os demais não foram identificados ou foram levados por amigos e/ou familiares para local não informado.
Motivação
O tráfico aparece como pano de fundo para a maioria dos homicídios. Dos 30 casos que tiveram a motivação divulgada pela Polícia Militar, 16 tinham relação direta ou indireta com as drogas. Hoje, temos uma guerrilha atuando para aniquilar seus inimigos, disse o delegado Wagner Pinto de Souza, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Belo Horizonte.

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