A mineira Luana Lopes Lara, de 29 anos, natural de Belo Horizonte, tornou-se a bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna, segundo a revista Forbes. Ex-bailarina do Bolshoi e formada em ciência da computação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ela transformou disciplina extrema, trajetória acadêmica brilhante e uma ideia inovadora em uma empresa avaliada em US$ 11 bilhões.
Do balé ao MIT: uma rotina de disciplina
Antes de ingressar no mundo da tecnologia, Luana viveu uma rotina rigorosa como bailarina da Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. Ela descreve o ensino médio como o período mais intenso de sua vida. As aulas iam das 7h às 12h no colégio e das 13h às 21h no balé — e, depois disso, ela ainda estudava até tarde para competições acadêmicas, inspirada pela mãe, professora de matemática, e pelo pai, engenheiro elétrico. Entre suas conquistas, estão o ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e o bronze na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina.
O ambiente do balé, porém, era duro. A mineira relembra que professoras seguravam cigarros acesos sob sua coxa para que mantivesse a perna levantada sem se queimar, enquanto colegas escondiam cacos de vidro nas sapatilhas umas das outras. Após concluir o ensino médio, ela ainda se apresentou profissionalmente na Áustria por nove meses, até decidir abandonar definitivamente as sapatilhas.
A origem da Kalshi
Durante os verões na faculdade, Luana e seu colega do MIT, Tarek Mansour, desenvolveram a ideia que daria origem à Kalshi. Eles observaram que, embora investidores tomem decisões com base em expectativas futuras — sobre eleições, clima ou economia não havia uma forma direta, legal e regulamentada de negociar essas previsões.
A resposta veio com um conceito ousado: criar uma plataforma de contratos vinculados ao resultado de eventos reais, transformando previsões em ativos negociáveis. Assim nasceu a Kalshi, que permitiria operar com probabilidades de acontecimentos como eleições, resultados esportivos ou eventos da cultura pop.
Da incubadora ao reconhecimento regulatório
Em 2019, a startup foi aceita na Y Combinator, mas não podia operar sem autorização federal. Foram necessárias mais de 40 consultas a escritórios de advocacia até encontrar um profissional disposto a acompanhar o caso. A aprovação histórica veio em 2020, quando a CFTC — órgão regulador do mercado de derivativos nos EUA autorizou a Kalshi a operar como mercado de contratos de eventos, algo inédito em mais de um século.
O embate com reguladores continuou. Em 2023, quando a CFTC bloqueou contratos eleitorais da plataforma, Luana decidiu contestar a decisão na Justiça, contrariando inclusive investidores. A vitória abriu caminho para que a empresa oferecesse contratos eleitorais regulamentados na eleição de 2024.
A explosão da Kalshi e a chegada ao bilhão
Com o crescente interesse em mercados de previsão, especialmente durante a eleição presidencial dos EUA, o volume de negociações da Kalshi disparou. Uma rodada de investimentos de US$ 1 bilhão impulsionou a avaliação da empresa para US$ 11 bilhões. Hoje, mais de 90% das negociações envolvem esportes, e a Kalshi já estabeleceu parcerias com corretoras como Robinhood e Webull, além de organizações como a NHL e a plataforma StockX.
O modelo de negócio se apoia na demanda de milhões de usuários que desejam apostar ou se proteger — com base em suas expectativas sobre o futuro.
Com cerca de 12% de participação na empresa, Luana Lopes Lara viu seu patrimônio subir para aproximadamente US$ 1,3 bilhão, ultrapassando Lucy Guo, da Scale AI, e se tornando a bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna. De uma rotina de balé exaustiva à criação de um mercado inédito nos EUA, sua trajetória combina rigor, resiliência e visão de inovação, consolidando seu nome entre os principais talentos do empreendedorismo global.
Com informações da Itatiaia








