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Alpinista abandona namorada em montanha na Áustria; mulher morre congelada e ele é acusado de homicídio culposo

Foto: Gipfelsturm69 | Pixabay / O Tempo

Uma escalada no Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria, terminou em tragédia após um alpinista de 36 anos abandonar a namorada, de 33, em condições extremas. A mulher morreu de hipotermia, e ele agora responde a acusações de homicídio culposo por negligência grave, podendo ser condenado a até três anos de prisão.

O casal iniciou a subida no dia 18 de janeiro deste ano, por volta das 18h. Imagens de monitoramento registraram suas luzes de emergência durante a ascensão. Já nas primeiras horas da madrugada, a mulher começou a demonstrar cansaço extremo e não conseguiu prosseguir. Segundo o Ministério Público austríaco, por volta das 2h, o namorado deixou a companheira exausta, desorientada e hipotérmica, a cerca de 50 metros do cume da montanha de 3.798 metros.

As câmeras mostraram o homem descendo sozinho às 2h30 pelo lado oposto do Grossglockner. Ele permaneceu longe por aproximadamente 6h30 em busca de ajuda, tempo suficiente para que o frio extremo que chegava a 8°C negativos, com sensação térmica de 20°C negativos devido aos ventos de 74 km/h fosse fatal para a alpinista.

Às 7h10, um helicóptero sobrevoou a área para resgate, mas a operação foi interrompida devido aos ventos fortes. Apenas três horas depois, equipes de socorro conseguiram subir a montanha, encontrando a mulher já sem vida.

A investigação da Polícia Alpina revelou uma série de falhas cometidas pelo alpinista. A namorada nunca havia participado de uma expedição de alta altitude semelhante, e mesmo assim ele iniciou a trilha duas horas após o horário planejado. O homem também não levou equipamentos de emergência adequados e, ao deixá-la para buscar ajuda, não a colocou em local abrigado nem utilizou itens que poderiam ter preservado seu calor, como saco de bivaque ou manta térmica.

Outro erro apontado foi permitir que a mulher tentasse a ascensão com splitboard e botas de neve macias equipamentos inadequados, segundo especialistas, para terrenos alpinos mistos. Mesmo quando as condições se deterioraram, ele não retornou. Além disso, o acusado deixou de emitir sinais de socorro durante a noite, inclusive quando um helicóptero policial sobrevoou a região às 22h50.

A comunicação com os serviços de emergência também foi falha: o alpinista atendeu a polícia apenas às 00h35 e, depois disso, colocou o telefone em modo silencioso, ignorando novas ligações das autoridades.

Seu advogado, Kurt Jelinek, afirmou que o acusado está “muito arrependido sobre como as coisas aconteceram”, embora a defesa considere tratar-se de um “trágico acidente fatal”.

O alpinista será julgado em 19 de fevereiro de 2026, no Tribunal Regional de Innsbruck, sob a acusação de homicídio culposo por negligência grave. As autoridades austríacas apontam que uma combinação de decisões imprudentes, falta de preparo e ausência de ações emergenciais contribuíram diretamente para a morte da mulher, transformando a tentativa de conquistar o cume do Grossglockner em uma tragédia anunciada.

Com informações do O Tempo