Curiosidades

Estudo revela que ratos criados em laboratório reduzem ansiedade após contato com ambiente natural

Foto: Sun et al./Science (2025)

Um estudo da Cornell University, publicado em 15 de dezembro na revista Current Biology, mostrou que ratos criados a vida inteira em gaiolas de laboratório apresentaram uma mudança significativa de comportamento ao serem transferidos para ambientes naturais controlados.

Segundo os pesquisadores, bastou uma semana em campos cercados, com grama, terra e espaço para explorar, para que os animais demonstrassem níveis muito menores de ansiedade — em alguns casos, o medo praticamente desapareceu.

O experimento

Os cientistas dividiram os camundongos em dois grupos:

  • Um permaneceu em gaiolas tradicionais, como ocorre na maioria dos estudos científicos.
  • O outro foi levado para áreas abertas, onde podia correr, cavar, escalar e procurar alimento — atividades impossíveis dentro de uma gaiola.

Para medir os efeitos da mudança, os pesquisadores aplicaram o teste do labirinto elevado em forma de cruz, usado para avaliar ansiedade em roedores. Nesse teste, os animais escolhem entre áreas fechadas, que transmitem proteção, e áreas abertas e elevadas, que costumam gerar medo.

Resultados

Os ratos que viveram nos campos passaram a explorar mais as áreas abertas do labirinto, indicando uma redução clara do medo. A diferença foi tão marcante que até animais que já apresentavam sinais fortes de ansiedade tiveram seus comportamentos revertidos após a experiência.

De acordo com os cientistas, o ambiente mais rico ofereceu aos ratos variedade de estímulos e maior controle sobre suas próprias ações, o que contribuiu para reduzir respostas exageradas ao medo.

Implicações

Embora o estudo tenha sido realizado apenas com ratos, os autores destacam que os resultados levantam dúvidas sobre o quanto o comportamento observado em laboratório reflete o comportamento natural dos animais. Além disso, reforçam a importância do ambiente na forma como o cérebro responde ao estresse e à ansiedade.

Os próximos passos da pesquisa incluem investigar quanto tempo de exposição à natureza é necessário para manter os efeitos, se a idade dos animais interfere nos resultados e quais mudanças ocorrem no cérebro durante esse processo.

Com informações do Metrópoles