Política

Transferência de Bolsonaro à Papudinha reacende pressão por redução de penas e prisão domiciliar

Foto: Reprodução/Redes sociais / Metrópoles

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chamada Papudinha, no Complexo da Papuda, no Distrito Federal, nessa quinta-feira (15), levou lideranças da oposição no Congresso a intensificarem a pressão pela retomada do projeto que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado. Aliados avaliam que o novo cenário político também pode fortalecer a articulação em torno da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, Bolsonaro estava detido desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e foi transferido na tarde de quinta-feira para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.

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Nos últimos meses, senadores e deputados da oposição tentaram aprovar um projeto de anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, com o objetivo de beneficiar o ex-presidente. A iniciativa não avançou, e a cúpula do Congresso passou a apoiar uma proposta alternativa, que prevê a redução das condenações.

Conhecido como PL da Dosimetria, o texto permitiria diminuir o tempo de Bolsonaro em regime fechado e possibilitar a progressão ao semiaberto em cerca de dois anos, segundo cálculos do relator na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). O projeto foi aprovado pela Câmara, por 291 votos a 148, e pelo Senado, por 48 a 25, mas foi vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada. Para derrubar o veto, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado.

Parlamentares da oposição afirmam que, antes mesmo da decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre a transferência, já havia articulações para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar a análise do veto. Após a mudança de prisão, a mobilização se intensificou. O líder do grupo no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), informou que um ofício já foi enviado a Alcolumbre cobrando a apreciação do veto e que a pressão será ampliada nos próximos dias.

O deputado Alberto Fraga (PL-DF) avaliou que a oposição já dispõe dos votos necessários para derrubar o veto presidencial. Para o vice-presidente nacional do PL, deputado Capitão Augusto (SP), a rejeição do veto já era certa e ganhou ainda mais força após a transferência.

Além da retomada do PL da Dosimetria, parlamentares defendem ampliar ações em favor da prisão domiciliar do ex-presidente. Grupos têm levado denúncias a organismos internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) apoiam a estratégia. Na Câmara, o novo líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), orientou os deputados a intensificarem a pressão. Segundo o deputado Sargento Fahur (PSD-PR), estão sendo coletadas assinaturas para um pedido formal de prisão domiciliar, sob o argumento de preocupação com a segurança de Bolsonaro.

A transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha reforçou a ofensiva política da oposição no Congresso, que busca derrubar o veto presidencial ao PL da Dosimetria e avançar na defesa da prisão domiciliar. Enquanto isso, decisões do STF mantêm o ex-presidente sob custódia, agora em um local que, segundo Alexandre de Moraes, oferece condições ainda mais favoráveis, incluindo visitas semanais da família, alimentação especial, atendimento médico integral e sessões de fisioterapia.

Foto: Reprodução/Redes sociais / Metrópoles
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Com informações do Metrópoles