Internacional

Lula celebra assinatura de acordo Mercosul-União Europeia como vitória do multilateralismo

Foto: Ricardo Stuckert/PR-Itatiaia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai apresentar nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia como um marco do multilateralismo e da diplomacia brasileira. O evento contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e do chefe do Conselho Europeu, António Costa.

Segundo o governo brasileiro, o encontro tem forte peso simbólico em um cenário internacional marcado por medidas unilaterais e tarifas impostas por grandes economias, especialmente pelos Estados Unidos. Para Lula, a decisão de dois dos maiores blocos econômicos do mundo de avançar com o tratado reforça a importância de regras comuns e do diálogo multilateral.

O Planalto pretende destacar o papel do Brasil nas negociações, já que o país foi o mais empenhado em convencer a Comissão Europeia da viabilidade do acordo após anos de impasses. A expectativa é que Von der Leyen também comemore o acesso privilegiado da Europa a um grande mercado consumidor e a commodities estratégicas, como minerais.

O tratado havia sido anunciado em 2019, mas foi bloqueado pelo lado europeu em meio a críticas às políticas ambientais do governo Jair Bolsonaro, período em que a devastação da Amazônia cresceu significativamente. As conversas só foram retomadas após a volta de Lula ao poder, quando o presidente passou a se envolver diretamente nas articulações com líderes europeus.

Apesar da resistência do presidente francês Emmanuel Macron, que sempre se posicionou contra o acordo para proteger agricultores locais, o governo brasileiro avalia que a assinatura agora deve avançar com relativa facilidade nos parlamentos do Mercosul. A percepção em Brasília é de que não há clima político para barrar o tratado em meio às tarifas elevadas impostas unilateralmente por Washington.

Do lado europeu, o processo pode enfrentar mais obstáculos. Embora o Parlamento Europeu precise apenas de maioria simples para aprovar o texto, cada país do bloco terá de implementar o acordo internamente. Ainda assim, a expectativa é de que no Mercosul a tramitação seja mais rápida.

Com informações da CNN