O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina Shingrix, contra o herpes-zóster (cobreiro), ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, publicada em portaria no Diário Oficial da União e baseada em análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), foi justificada pelo alto custo do imunizante, estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. A medida deixou de fora justamente a população mais vulnerável, composta por idosos e imunocomprometidos.
A vacina recombinante adjuvada tem eficácia superior a 90% e é apontada como capaz de prevenir dores crônicas, internações e complicações graves. Apesar disso, a Conitec considerou o custo elevado e a classificada como não custoefetiva. O relatório detalha que vacinar 1,5 milhão de pessoas por ano custaria R$ 1,2 bilhão e, no quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes geraria mais R$ 380 milhões. Médicos e ex-gestores da saúde criticam o critério adotado como rígido e desconectado da realidade do SUS, destacando que a decisão ignora possíveis economias futuras com tratamentos evitados e a melhora na qualidade de vida dos pacientes.
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que pode se reativar, especialmente em idosos e pessoas com imunidade baixa. A doença provoca queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa, manchas vermelhas e bolhas, geralmente em apenas um lado do corpo, durando de duas a três semanas. Embora muitas vezes se resolva espontaneamente, pode gerar complicações graves nos olhos, ouvidos, pele e sistema nervoso. Entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações no SUS, enquanto entre 2007 e 2023 ocorreram 1.567 mortes pela doença, sendo 90% em pessoas com mais de 50 anos, especialmente acima de 80 anos.
A negativa de incorporação da vacina ocorre em contraste com os gastos do próprio governo federal, que somaram mais de R$ 4,5 bilhões apenas em viagens oficiais nos anos de 2023 e 2024, além de cifras bilionárias também em 2025, segundo dados públicos. Enquanto recursos são liberados para deslocamentos e agendas internacionais, idosos permanecem sem acesso gratuito a um imunizante eficaz, disponível apenas na rede privada por valores inacessíveis para grande parte da população.
A decisão de não incluir a Shingrix no SUS reforça críticas de especialistas e médicos de que o governo prioriza despesas políticas e administrativas em detrimento da prevenção e do cuidado com os grupos mais vulneráveis do sistema público de saúde. A portaria prevê que a vacina poderá ser reavaliada pela Conitec caso surjam novos fatos que possam alterar a análise, mas, até o momento, a medida deixa milhões de idosos e imunocomprometidos sem acesso à imunização.
Com informações da Agência Brasil – @eomundooficial_








