A greve dos garis contratados pela empresa Sistemma Serviços Urbanos continua nesta terça-feira (20) em Belo Horizonte e já provoca impactos significativos na limpeza urbana. Com a paralisação, a capital mineira acumula cerca de 1,6 mil toneladas de lixo nas ruas, especialmente em bairros das regiões Leste, Noroeste e Nordeste, onde a coleta de resíduos foi interrompida.
A paralisação teve início na segunda-feira (19), quando aproximadamente 180 trabalhadores cruzaram os braços em protesto por melhores condições de trabalho. Segundo a categoria, há atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ausência de convênio médico, sucateamento dos caminhões utilizados na coleta e redução no número de profissionais, o que estaria resultando em jornadas excessivas.
Em entrevista ao jornal O TEMPO, o influenciador Tales Marcelo Alves, conhecido como Gari Gato de BH, explicou que a empresa apresentou uma proposta para amenizar a situação, prevendo a contratação de dez novos garis em um prazo de dez dias, além da entrega gradual de caminhões em pleno funcionamento. A proposta, no entanto, não foi aceita pelos trabalhadores, que decidiram manter a paralisação até que haja um acordo considerado concreto.
“A empresa fez uma proposta de contratar 10 garis a mais para tentar completar o contingente, colocando sete garis durante o dia e três à noite, mas pediu um prazo de 10 dias para começar a entregar os caminhões em perfeito funcionamento. Os garis não aceitaram e falaram que daqui a 10 dias, então, voltam a coletar o lixo. Isso é inadmissível. Não tem contingente para os garis trabalharem”, afirmou Tales.
Ainda segundo ele, a falta de acordo mantém o lixo acumulado nas ruas da cidade. “Esse lixo já está no chão e hoje vai continuar porque não teve acordo. A empresa não tem condições nenhuma de colocar os garis para trabalhar com a estrutura que tem hoje, em nível de caminhão e contingente. Fora os benefícios não pagos, que é Fundo de Garantia, não tem plano de saúde e as férias foram cortadas para não parar o serviço e explorar o trabalhador”, disse.
A categoria também cobra uma atuação direta da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para intermediar a situação, principalmente no que se refere aos atrasos no FGTS. De acordo com os trabalhadores, há mais de 12 anos não é oferecido convênio médico, e a proposta é manter a coleta paralisada até que haja mediação do órgão.
Procurada, a SLU informou que acompanha o caso e que está “adimplente com todas as suas obrigações contratuais junto à empresa”. Já a Sistemma declarou ter sido surpreendida pela paralisação e afirmou que está apurando possíveis irregularidades no movimento. A Prefeitura de Belo Horizonte foi questionada sobre a quantidade de bairros afetados, mas ainda não respondeu.
Sem acordo entre trabalhadores e empresa, a greve dos garis segue impactando a rotina da capital mineira, com toneladas de lixo acumuladas nas ruas e incerteza quanto à retomada da coleta. Enquanto os trabalhadores mantêm a paralisação em busca de melhores condições e garantias trabalhistas, o impasse aguarda uma mediação que possa viabilizar uma solução para o serviço essencial de limpeza urbana em Belo Horizonte.
Com informações do O Tempo








