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Mauro Cid obtém aposentadoria antecipada do Exército e receberá cerca de R$ 16 mil mensais

Foto: Senado Federal do Brasil

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve autorizada sua transferência para a reserva do Exército Brasileiro e passará a receber cerca de R$ 16 mil mensais, além de benefícios. A decisão ocorre após sua condenação a dois anos de prisão em regime aberto por participação na tentativa de golpe de Estado, com pena reduzida em razão de acordo de delação premiada.

Com 46 anos de idade e 29 anos de serviço, Mauro Cid deixará o serviço militar ativo no dia 31 de janeiro, mantendo a patente. A autorização foi assinada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, na noite de terça-feira (27), e confirmada pelo advogado Jair Alves Pereira, que representa o militar.

O pedido de transferência para a reserva foi protocolado em agosto do ano passado, antes da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Cid, Bolsonaro e outros seis réus no processo relacionado à trama golpista. O requerimento foi avalizado por uma comissão do Exército por meio do mecanismo conhecido como “cota compulsória”, o que garante a Cid remuneração proporcional ao tempo de serviço 29 anos e 11 meses.

Em 2025, o salário de Mauro Cid variou entre R$ 18,4 mil e R$ 32,5 mil, segundo dados do Portal da Transparência. Pelas regras do Exército, ele teria direito à aposentadoria com salário integral somente após completar 31 anos de serviço. Ainda assim, Cid manterá benefícios, como uma ajuda de custo equivalente a oito salários, paga em parcela única, além do acesso aos serviços de saúde do Exército para ele, a esposa e os filhos.

Uma das poucas perdas será a casa funcional ocupada pela família no Setor Militar Urbano, área nobre de Brasília, da qual deverá se mudar no prazo de 90 dias. Já na reserva, Cid poderá exercer outra atividade profissional e, segundo relatos a amigos, cogita atuar como consultor na área militar, vivendo em Brasília ou no Rio de Janeiro. Seu pai, Mauro Cesar Lourena Cid, é general da reserva e possui forte influência no meio militar.

Mauro Cid foi condenado em setembro de 2025 pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Além da pena reduzida, o STF validou benefícios decorrentes da delação, como a restituição de bens apreendidos e a extensão de privilégios ao pai, à esposa e à filha mais velha.

A delação também envolveu a investigação sobre a venda de joias sauditas recebidas por Jair Bolsonaro, esquema no qual Cid e seu pai confessaram o repasse de US$ 86 mil ao ex-presidente entre 2022 e 2023. O militar ainda admitiu participação na inserção de dados falsos sobre vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde, o que teria permitido a emissão de cartões de vacinação fraudulentos.

A defesa de Cid pediu perdão judicial, mas o ministro Alexandre de Moraes rejeitou a possibilidade, afirmando que crimes contra a democracia não admitem anistia ou clemência. O STF determinou medidas de proteção à família do militar, e a Polícia Federal ofereceu sua inclusão no programa de proteção a testemunhas. A defesa ainda tenta a extinção da pena, sob o argumento de que Cid já teria cumprido o tempo de condenação em prisão preventiva e sob medidas cautelares, questão que ainda será analisada pela Justiça.

Com informações do jornal O Tempo