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Sobre homens, livros e nações

Foto: UN

“Um país se faz com homens e livros!” Essa frase é conhecida e teria sido dita por Monteiro Lobato ou por alguém que resumiu a obra dele. Cita-se o livro A Barca de Gleyre, que reúne cartas de Lobato, como a inspiração para a frase… E lá fui eu ler e pesquisar esse livro. Há muitas cartas interessantes ali, cheias de ideias de como se fazer um país.

Lobato via na construção do Brasil a necessidade de se ter homens decentes, honestos, que amem a Pátria de verdade e não como se vê hoje em dia, uma classe política saúva, que ataca as riquezas alheias em favor do sauval. E estão angariando como nunca antes neste país, nem na época do quinto do inferno. Os que deveriam representar e cuidar da res publica abocanham uma parte obscena do orçamento, os que aplicam honestamente… Mas muitos fazem esquemas para desviar essa fatia para os próprios bolsos. A formiga, vencemos, mas como lutar com essa classe?

Já os livros estão incrivelmente acessíveis. É claro que Lobato não falava desses livrinhos de baixa qualidade de argumento e de português. Sim, livros técnicos e científicos são essenciais para o desenvolvimento e estudo, mas livros recreativos bem escritos na língua vernácula e estrangeira são essenciais.

Dos australopitecos aos homos, o desenvolvimento da linguagem por sinais e fala deu um salto tecnológico restrito à memória coletiva. A invenção da escrita há 5.500 anos levou a livros escritos em tabuinhas de argila, rolos de pergaminhos, papiro, paredes… Vieram as escolas e as bibliotecas, a técnica da informação.

Os livros eram manuscritos até o século XV, quando Gutenberg criou a impressão por tipos móveis, em 1450. Até então havia alguns milhares de livros; cinquenta anos depois já havia 10 milhões de livros impressos. O conhecimento tornou-se “popular”, uma fantástica revolução. Mesmo assim, em cidades pequenas, as bibliotecas são insignificantes.

Do primeiro computador eletrônico a válvula, o ENIAC, em 1946, aos computadores pessoais (PC) dos anos 1980 e à internet, uma década depois, trouxe-nos acesso a uma massa inacreditável de informação. Hoje temos acesso a gigantescas bibliotecas que somente havia em Nova York e Washington.

Temos acesso a revistas científicas e tecnológicas, embora as renomadas cobrem um preço caro. Muitos sites e bibliotecas virtuais são gratuitos, como a (1) scielo.br, uma biblioteca de conhecimento científico e tecnológico; (2) a Wikipedia, uma enciclopédia que melhorou muito, embora eu ainda prefira a versão inglesa, que é mais rigorosa e detalhista.

Há bibliotecas em que se pode emprestar livros, como o (3) archive.org, com uma infinidade de obras de todas as áreas, mas a maioria está em inglês, como acontece com os impressos também. Para artigos científicos e alguns livros há a (4) academia.edu e o (5) researchgate.net.

O problema hoje é saber escolher o tesouro do lixo, porque ler um livro ruim desperdiça o tempo e nossa preciosa memória. Embora a indicação de especialistas sempre seja válida, hoje podemos contar com a novidade da Inteligência Artificial, desde que se saiba fazer a pergunta correta.