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Universidade do Texas orienta professor a retirar Platão de curso após novas regras educacionais

Foto: Freepik

A Universidade Texas A&M advertiu um professor para que removesse trechos de Platão do plano de ensino de uma disciplina, em meio à implementação de novas diretrizes educacionais no estado do Texas que restringem discussões sobre raça e gênero. O caso envolve o catedrático Martin Peterson e ocorre em um contexto de incerteza nas universidades públicas sobre os limites do que pode ser ensinado. As informações são do Estadão.

Segundo Peterson, a orientação partiu da chefia de seu departamento poucos dias antes do início do semestre, como forma de adequar a disciplina às normas recentemente aprovadas pelo sistema de ensino superior do Texas. As diretrizes, endossadas após pressão do parlamento estadual, proíbem cursos de “defender ideologias de raça ou gênero, ou tópicos relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero”. Em situações específicas, disciplinas consideradas não essenciais só podem abordar esses temas mediante demonstração de “propósito educacional necessário”.

Em entrevista ao New York Times, Peterson disse ter reagido com espanto à recomendação. “Um professor de filosofia que não tem permissão para ensinar Platão? Que tipo de universidade é essa?”, questionou. Ele também afirmou ser impossível ensinar filosofia sem discutir Platão, ainda que algumas de suas ideias sejam controversas.

A universidade, por sua vez, declarou em nota que continuará ensinando diálogos de Platão em diversos cursos, mas ressaltou que essas aulas não incluirão módulos relacionados à “ideologia de raça e gênero”, em conformidade com as diretrizes aprovadas no fim do ano passado.

O caso ocorre em meio a um cenário mais amplo de reformulação acadêmica no estado. Docentes relatam insegurança sobre o conteúdo permitido, enquanto cursos vêm sendo reclassificados, alterados ou até cancelados, afetando diretamente os horários dos estudantes. Desde novembro de 2024, a Texas A&M encerrou uma especialização em estudos LGBT e enfrentou crises administrativas relacionadas a eventos sobre diversidade.

O debate também reflete um embate político no Texas. Parlamentares republicanos acusam universidades de promoverem “proselitismo progressista”. O deputado estadual Brian Harrison afirmou ser “enganoso e falso” dizer que Platão estaria sendo banido e classificou as críticas como “desonestas, falsas e cínicas”.

No caso específico de Peterson, a disciplina Filosofia e Questões Morais Contemporâneas previa debates sobre aborto, pena de morte, justiça econômica e ideologia de raça e gênero. Ao submeter o programa para revisão, o professor afirmou, em e-mail, que não pretendia defender ideologias, mas ensinar os alunos a analisar argumentos morais. Como alternativa, a chefia do curso ofereceu duas opções: retirar os módulos e leituras considerados sensíveis, incluindo textos de Platão, ou transferi-lo para outra disciplina.

Peterson optou por alterar o conteúdo do curso, substituindo os temas vetados por aulas sobre liberdade de expressão e liberdade acadêmica. Apesar disso, criticou duramente a medida. “Não podemos ter apenas uma perspectiva na sala de aula. Então não há nada para discutir. Não há nada para aprender. É doutrinação. É educação ao estilo soviético”, afirmou. O episódio evidencia as tensões entre políticas educacionais, disputas políticas e a liberdade acadêmica nas universidades do Texas.

Com informações do Diário do Centro Mundo