Formiga

Empresário suspeito de assassinar procuradora é encontrado morto em motel

O empresário Djalma Brugnara Veloso, 49, principal suspeito de ter assassinado a procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, 35, foi encontrado morto em um motel às margens da BR-356, no bairro Olhos d´Água, em Belo Horizonte, no início da madrugada desta sexta-feira (3). A Polícia Civil acredita que ele tenha se matado, já que o corpo apresentava nove perfurações no total – três nas pernas, uma em cada pulso, uma na palma das mão esquerda, duas no pescoço e uma profunda no lado esquerdo do peito.
Três funcionárias do motel Capri encontraram o corpo dele em cima da cama da suíte 16, onde o cliente deu entrada por volta das 4h55 dessa quinta-feira (2) – instantes depois de a mulher dele ter sido morta a facadas no condomínio de luxo Vila Alpina, em Nova Lima, na grande BH. A suspeita é que ele tenha seguido direito para o motel, já que as câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que Veloso saiu do local em um Peugeot de cor branca, o mesmo veículo usado pelo empresário para chegar ao motel. O juiz titular da Vara Criminal e da Infância e Juventude de Nova Lima, Juarez Morais de Azevedo, havia expedido nessa quinta-feira um mandado de prisão preventiva do empresário. Com a morte do empresário, os dois filhos do casal, de 2 e 6 anos, ficaram órfãos e estão sob cuidados de familiares.
Uma faca foi encontrada embaixo do braço esquerdo do empresário. Ele estava de barriga para cima e vestindo apenas short quando foi encontrado completamente ensanguentado no quarto, conforme o capitão Claydson, do 5º Batalhão da Polícia Militar. Três latas de cervejas vazias, que foram consumidas por Veloso, também foram encontradas na suíte.
O quarto tinha marcas de sangue na cama, no chão e no banheiro. O empresário pode ter assistido todo o seu martírio até a morte, já que na parte do teto que fica acima da cama, onde ele foi encontrado, havia um amplo espelho. Como o cliente deu entrada ainda na manhã de quinta-feira e até as 19h não havia pedido comida ou algum serviço do motel, o gerente estranhou a situação.
Uma funcionária foi até a suíte por volta das 19h, mas tendo verificado que o carro permanecia na garagem ela retornou ao trabalho. Às 23h, três empregadas do motel voltaram ao quarto. Elas bateram insistentemente na porta e como não tiveram respostas, usaram uma chave reserva para entrar no recinto. Foi quando a funcionária Lúcia Maria de Jesus Silva, de 32 anos, encontrou a cena chocante. Fiquei muito assustada ao ver o corpo em cima da cama, nem quis chegar perto, disse ainda abalada.
Após comunicar a polícia, ela ligou para a colega de trabalho que atuava na madrugada, quando o homem deu entrada no motel. Como trabalho em dois lugares, nem tinha visto essa história do crime. Depois que contei pra minha amiga que ela falou que devia ser o homem que matou a mulher a facadas em Nova Lima, contou Lúcia.
O advogado do motel, Helias Nogueira, acompanhou os peritos até a cena do crime. Ele contou que o homem tinha marcas na região do pescoço, mas que teria cravado a faca no peito. O objeto que tem uma lâmina 40 cm, cabo preto de plástico, e não pertence ao motel, afirmou o defensor.
A suspeita é de que seja a mesma faca de cozinha utilizada por Djalma para matar a mulher. A perícia acredita que o corpo tenha sido encontrado quatro horas após a morte do empresário. Uma mochila do empresário, com roupas sociais e de academia, foram encontradas na suíte. Os documentos de Djalma estavam dentro do carro deixado na garagem do motel. O corpo dele foi retirado da cena do crime por volta das 3h e encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).
O circuito de câmeras internas do motel não registrou o rosto do empresário quando ele deu entrada no estabelecimento. As imagens, que serão usadas nas investigações do crime, flagraram apenas a parte traseira do veículo.
Começo da tragédia
O crime ocorreu dentro da casa da procuradora de Nova Lima, Ana Alice Moreira Melo, que morava no condomínio de luxo Vila Alpina, na rua Adamello, no bairro Vale da Mutuca. A babá dos dois filhos do casal informou aos militares da 1ª Companhia Independente que, por volta das quatro da manhã, o ex-marido da patroa, de 49 anos, chegou na residência e começou a discutir com ela. Assustada com a situação, a babá pegou as crianças e se trancou em um dos banheiros da casa com os filhos da vítima, que são dois meninos entre cinco e dez anos. Nesse momento, conforme a testemunha, ela ouviu vários gritos da patroa, ligou para a polícia e saiu. Porém, assim que saiu do banheiro, encontrou a mulher caída no quarto dela e toda ensanguentada.