A medicina já aprendeu que crianças não são adultos em tamanho reduzido. Porém, parece ter se esquecido de que alguns procedimentos e posturas podem ser adotados não só nos pequenos como também nos crescidos.
É o caso, por exemplo, dos tubos utilizados nos exames de sangue. O sistema de cores usado para diferenciar o exame que deve ser feito a partir do material colhido em cada um é o mesmo, mas os tamanhos dos tubos têm uma diferença considerável. O mesmo acontece com as agulhas utilizadas: enquanto as pediátricas são pequenas e delicadas, as de adulto são mais grosseiras.
Se é possível coletar sangue suficiente para uma análise com uma agulha fina e enchendo um tubo pequeno, por que devemos espetar agulhas enormes em adultos e encher potes enormes para fazer os mesmos procedimentos, questiona o médico Perri Klass.
Longe de serem um cuidado excessivo, essas pequenas atitudes podem fazer diferença no estado de saúde dos pacientes. Um artigo publicado no periódico especializado Arquives of Internal Medicine demonstra que adultos hospitalizados vítimas de ataques cardíacos que tinham maiores quantidades de sangue coletado estavam mais sujeitos a desenvolver uma anemia.
O volume de sangue retirado dos pacientes – em média, 174 ml – não parecia suficiente para causar anemia em adultos saudáveis. Porém, quem já está debilitado por uma outra enfermidade fica mais exposto ao risco.
No Instituto Centro-Americano do Coração São Lucas, na cidade de Kansas (EUA), dirigido pelo cardiologista Kosiborod, os tubos de coleta menores já estão sendo utilizados. É o próprio cardiologista quem explica o motivo por que esse procedimento não foi adotado em todos os hospitais. Isso nunca foi trazido à tona na medicina de adultos, nunca foi considerada uma questão com a qual se preocupar, esclarece.
O acadêmico da Universidade da Califórnia especialista em hospitais Bradley Monash, que trabalha tanto com pediatria como com medicina de adultos, explica que existe um motivo pelo qual a área se preocupa mais com o bem-estar dos pacientes infantis. Existe algum ponto no tratamento de crianças que mexe com o emocional das pessoas. Há algo no tratar de crianças que faz as pessoas terem uma abordagem diferente.
A dor e o medo que os pequenos sentem quando vão coletar sangue, por exemplo, provavelmente influenciam na frequência com a qual os médicos pedem exames desse tipo. O medo é aceitável na infância muito mais do que na vida adulta, analisa o especialista.
Formiga
Lições da pediatria devem ser aplicadas à medicina de adultos
- por Últimas Notícias
- 02/04/2012 - 19:13








