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Homofobia resultou na morte de 21 pessoas em Minas Gerais

Segundo dados do relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), Minas Gerais está em sexto lugar na lista dos Estados brasileiros com maior índice de violência homofóbica, com 21 casos de homicídios registrados no ano passado. No país, 266 pessoas foram mortas em crimes motivados por orientação de gênero ou sexual.
Desses, 70 casos foram com arma de fogo, 67 com arma branca (foice, faca, machado ou tesoura) e 74 por espancamento ou enforcamento.
Segundo a pesquisa da GGB, o maior alvo são homens gays, 60% das vítimas no Estado. Desde o início do levantamento, em 2007, esse foi o maior índice já apresentado de violência homofóbica no Brasil. Os dados preocupam acadêmicos, representantes dos movimentos sociais e formuladores de políticas públicas.
Para a empresária Agatha Lima, 40, que é transexual, é fundamental promover debates entre representantes da sociedade civil e da esfera pública para formular novas políticas que combatam a homofobia no país. O preconceito é frequente e velado, diz. Segundo ela, há muitos anos, o preconceito ganhou espaços além do banheiro público. Já fui discriminada nos aeroportos e até em uma delegacia, quando fui à polícia em busca dos meus direitos, relata.
Agatha também enfrentou resistência para retirar o passaporte, já que sua aparência de mulher conflitava com o nome de homem na certidão de nascimento.
Ação
Em antecipação ao dia mundial de combate à homofobia, comemorado em 17 de maio, o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), deu início neste domingo (6) ao ciclo de debates, palestras e atividades culturais do 7° Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste. A programação do evento, que também tem mesas redondas e o compartilhamento de experiências, vai até quarta-feira, no campus Pampulha.
No primeiro dia, participaram o cartunista Laerte Coutinho e o escritor trans-homem João Nery, que ganhou destaque na mídia nacional após o lançamento de um livro de memórias.
Busca da prostituição
Para a educadora Marina Reidel, mestranda em educação, sexualidade e relação de gênero, o preconceito sofrido por transexuais e travestis é mais comum do que se pensa.
Marina, que estuda a jornada de transexuais profissionais da educação em todo o Brasil, explica que é justamente por causa do preconceito que boa parte dos travestis e transexuais acaba entrando na vida da prostituição e da ilegalidade. Ao não serem aceitos, eles acabam ficando sem emprego, sem amigos e sem apoio. Assim, buscam uma saída na vida informal, esclarece. A professora acredita que os jovens de hoje já estão mais abertos às diferenças de sexualidade e gênero, mas ainda há preconceito.