Curiosidades

Estudo revela benefício de técnicas de respiração para adolescentes com traumas

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Adolescentes que passaram por experiências difíceis durante a infância podem se beneficiar de estratégias simples aplicadas no ambiente escolar. Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que um programa baseado em técnicas de respiração e aprendizagem socioemocional ajudou a melhorar a conexão social entre estudantes, especialmente entre aquelas com histórico de maior adversidade.

Os resultados foram publicados em 10 de agosto no Journal of Research on Adolescence e chamam atenção por contrariar um padrão observado em programas desse tipo. Em geral, estudantes que mais precisam de apoio em saúde mental são os que apresentam menor melhora. Na pesquisa, porém, foram justamente essas adolescentes que registraram os maiores ganhos.

A pesquisa acompanhou 174 adolescentes do sexo feminino em duas escolas de ensino médio no sul da Califórnia. As participantes apresentavam diferentes níveis de experiências adversas na infância, incluindo violência, negligência e outras situações de estresse prolongado.

Uma das escolas participou, inicialmente, de um programa de quatro semanas que combinava o ensino de habilidades emocionais com técnicas estruturadas de respiração. Depois desse período, as alunas continuaram praticando os exercícios durante as aulas por mais oito semanas.

O outro grupo manteve a rotina escolar normal durante o mesmo período e recebeu o programa somente após o encerramento do estudo.

Os pesquisadores consideraram como alto nível de adversidade a vivência de quatro ou mais dessas experiências durante a infância. Segundo o estudo, essa condição está associada a um risco maior de problemas de saúde mental ao longo da vida.

Entre as adolescentes que participaram do programa e apresentavam histórico mais intenso de adversidades, a pesquisa identificou um aumento de 7% na conexão social.

O resultado foi superior ao observado entre as alunas com menor nível de adversidade e também ao registrado pelo grupo que não havia participado da intervenção naquele momento.

“O que chama a atenção é que as meninas que mais precisavam de ajuda foram as que mais se beneficiaram”, destacou Dara Ghahremani, pesquisadora do Instituto Semel de Neurociência e Comportamento Humano da UCLA, em comunicado.

Segundo Ghahremani, aprender a lidar melhor com o estresse pode facilitar a maneira como essas jovens se relacionam com outras pessoas. “Quando os alunos conseguem regular melhor o próprio estresse, eles conseguem se conectar melhor com as pessoas ao seu redor”, afirmou.

A sensação de pertencimento e de vínculo com outras pessoas é considerada importante para a saúde mental durante a adolescência, período em que o isolamento pode provocar consequências duradouras.

O estudo também ocorre em um contexto de relatos de níveis crescentes de solidão entre jovens e de maior busca por apoio em ambientes digitais em comparação com relações presenciais.

Para os autores, programas que combinam técnicas de respiração e aprendizagem socioemocional podem ser incorporados à rotina escolar como uma forma acessível de apoio, especialmente em comunidades com menor acesso a serviços de saúde mental.

Embora os resultados sejam considerados iniciais, a pesquisa indica que intervenções simples realizadas no ambiente escolar podem contribuir para melhorar a conexão social de adolescentes, sobretudo entre aquelas que passaram por níveis mais elevados de adversidade na infância.

A conclusão reforça a possibilidade de utilizar estratégias de manejo do estresse e aprendizagem socioemocional dentro das escolas como uma forma de oferecer suporte a estudantes que enfrentam maiores dificuldades.

 

Com informações do Metrópoles