História de 1909 é marcada pelo medo da varíola, uma morte declarada de forma precipitada e pela devoção popular que surgiu décadas depois
Em 1909, Formiga, em Minas Gerais, vivia sob o temor provocado pela varíola, conhecida na época como “bexiga preta”. Foi nesse cenário de medo e apreensão que ocorreu a história de Maria Rodrigues Furtuosa, uma mulher natural de Ribeirão Vermelho que havia chegado à cidade acompanhando o marido, o mestre ferreiro João Pinto da Cunha, funcionário da antiga Rede Mineira de Viação.
O que deveria ser o nascimento do primeiro e único filho do casal acabou marcado por uma tragédia. Segundo o relato, Maria sofreu uma forte eclampsia durante o parto, entrou em convulsões e posteriormente em um coma profundo.
Maria foi declarada morta e enterrada
Naquele período, os conhecimentos e recursos médicos eram diferentes dos disponíveis atualmente. Diante do quadro apresentado pela jovem mãe, marcado por febre alta e pelo estado de inconsciência, sua morte teria sido declarada de forma precipitada.
Em meio ao temor provocado pela epidemia e pelo risco de contágio, Maria foi enterrada às pressas em uma cova localizada atrás do Cemitério do Santíssimo, em Formiga.
Posteriormente, quando o engano teria sido descoberto, já era tarde para reverter a situação. Segundo a história preservada sobre o caso, Maria Rodrigues havia sido enterrada viva.
Tragédia deu origem à devoção popular
Com o passar das décadas, a história de Maria Rodrigues deixou de ser lembrada apenas como uma tragédia. O sentimento de remorso teria dado lugar à devoção, e moradores passaram a buscar sua intercessão.
Relatos de graças alcançadas começaram a circular pela região, fortalecendo a crença popular em torno da história da jovem.
Atualmente, mais de um século depois dos acontecimentos narrados, o local apontado como seu repouso é considerado um ponto de peregrinação. Para muitos devotos, Maria Rodrigues passou a ser vista como uma intercessora milagrosa, transformando a lembrança de seu sofrimento em uma fonte de esperança para aqueles que visitam o local.
Filho sobreviveu e deixou descendência da história
O filho de Maria, Manoel, sobreviveu ao período marcado pela epidemia. De acordo com o relato, ele foi levado pelo trem “noturno” para longe da região afetada e cresceu em Ribeirão Vermelho.
A história de Maria Rodrigues permaneceu na memória popular ao longo das gerações. Mais de cem anos depois, seu nome continua associado a uma narrativa que reúne tragédia, medo, fé e devoção na história de Formiga.
Com informações de Cleber Antônio, F,F,F&Filmes






