Formiga

Penitenciária de Formiga oficializa parcerias com FEAMA e Hayann

A 45ª Penitenciária Regional de Formiga tornou oficiais, na tarde desta segunda-feira, 26/11, as parcerias já firmadas com a FEAMA e a empresa de confecções Hayann. O objetivo das parcerias é dar aos detentos uma oportunidade de trabalho, ocupando o tempo ocioso da pena com algo construtivo, além de dar a ele a remissão da pena.
O trabalho de dar aos detentos uma ocupação já vem sendo aplicado em Formiga desde 2002, com a criação da FEAMA, com o projeto Vista Alegre. Segundo Rios Júnior, presidente da FEAMA, com isso, o projeto dá ao presidiário uma chance que não seria dada em ocasiões normais. ?O presidiário ou o ex-presidiário condenado são figuras excluídas entre os próprios excluídos. Atualmente vemos ativistas em favor dos negros, imigrantes, mulheres, pobres, mas mesmo entre essa maioria discriminada, não existe espaço para aqueles que cumprem ou cumpriram pena na prisão. Nós esquecemos que esses chamados ?bandidos? são produtos da nossa sociedade e foi trabalhando com essas pessoas que eu vi quanta gente boa tem dentro da cadeia e quanto bandido tem do lado de fora?, comenta Rios Júnior.
Jairo Luís da Silva, proprietário da Hayann Confecções, diz que a preocupação social é um dos pontos que o levou a querer firmar a parceria. ?Quando o pessoal da penitenciária entrou em contato conosco sobre a idéia de dar esse ?emprego? aos detentos, nos aceitamos rapidamente. Mesmo tendo cometido seus erros, os presidiários são seres humanos tão competentes ou mesmo mais qualificados para o trabalho manual que nós designamos, além de ser uma chance que eles têm de reabilitação?, comenta.
O Coronel Murilo Foschetti, diretor da penitenciária, comentou que este é o primeiro passo dado rumo à reabilitação dos presos e deu mais detalhes sobre o funcionamento da parceria. ?Os detentos que participam desse projeto trabalham uma média de oito horas diárias. Para cada três dias de trabalho, eles ganham um dia de remissão na pena. Atualmente temos 21 detentos trabalhando com a FEAMA e três com a Hayann. Eles recebem o equivalente a ¾ de um salário mínimo, sem nenhum benefício, o que é algo por volta de R$ 285,00. O dinheiro é depositado diretamente na conta do preso, o que beneficia seus familiares?, esclarece. Também acrescentou que o benefício não é para todos os presos. ?Mesmo que seja dentre os internos mais qualificados tecnicamente para o trabalho, se ele não apresentar um bom comportamento, não poderá participar?, encerra.