Formiga

?Diário do Não Ver? vence prêmio em Festival

Uma reflexão sobre sentimentos, sonhos, grandes e inesperadas mudanças na vida. Essas são algumas das temáticas de ?Diário do Não Ver?, que foi lançado oficialmente na capital mineira na terça-feira (2), no Espaço Oi Futuro. Foram duas sessões, sendo uma especial, dotada com sistema de audiodescrição para deficientes visuais.
O curta-metragem, dirigido pelas cineastas Cristina Maure e Joana Oliveira explora a perda da visão e uma nova percepção de vida.
A produção conta a história da arquiteta Lina, que se depara com a progressão de uma doença que a levará a cegueira. Ao receber o diagnóstico, ela precisa se preparar para esse futuro e surge a dúvida ?mas, como fazê-lo??. O roteiro do filme foi inspirado em relatos de várias pessoas que perderam a visão por motivos diferentes como descolamento de retina, diabetes (retinopatia diabética), acidentes, entre outros. Para essas pessoas, as imagens que surgiam em seus sonhos foram mudando juntamente com a transformação da percepção de mundo. A memória visual desses sonhos foi se tornando pouco nítida, as imagens ficando desfocadas. Os relatos dessa nova forma de percepção da imagem serviram para criar os sonhos de Lina, na ficção.
Para Joana Oliveira alguns sentidos se perdem e outros vão sendo ativados, conforme explica: ?As pessoas começam a sonhar com sons e com as sensações de tato. Elas sonham com cheiros, com texturas e com o toque. O filme é sobre uma pessoa que está perdendo a visão. Ele surgiu de uma vontade de falar sobre a falta da visão (fui míope durante muitos anos) e a partir de nossas pesquisas no Instituto São Raphael (Belo Horizonte) e Instituto Benjamin Constant (Rio de Janeiro). Fomos aprofundando essa temática e essas situações em as pessoas são acometidas por algum evento na vida que as fazem perder a visão e, como a partir daí, lidam com as suas vidas, projetos e sonhos. É uma ficção que adentra ao universo sentimental e sensorial de Lina, através de seus sonhos e de seu imaginário?.
Entendendo um pouco mais de ?Diário do Não Ver? – O filme relata a história de uma mulher que tem sua segurança, sua estabilidade e sua dependência tomadas de si. Lina se depara com o diagnóstico de uma cegueira irreversível que se dará progressivamente. Seus sentimentos e sua forma de lidar com sua nova condição são traduzidos em seus sonhos. No mundo onírico ela digere o impacto da fatalidade e lida com o medo e os desafios das mudanças que serão necessárias para que ela continue a viver. ?Diário do Não Ver? foi premiado como melhor filme, pelo júri popular, na Mostra de Municípios – 12ª Goiânia Mostra Curtas. Em 2012, foi exibido também no 40º Festival de Cinema de Gramado, 8ª edição de Festival de Cinema Independente do MUBE e 16º Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal.
A produção foi inteiramente viabilizada com recursos obtidos por meio da captação de patrocínio diretamente com pessoas físicas, por meio de projeto aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura.