Formiga

Reunião da Câmara é turbulenta e precisa de escolta policial

Os nervos se exaltaram na reunião desta segunda-feira (27), na Câmara Municipal. Além de diversas críticas à administração municipal por parte dos vereadores, o presidente da Casa, Josino Bernardes/PSC repreendeu alguns populares que estavam no plenário e haviam infringido normas daquela que é conhecida e propalada como sendo a Casa do Povo.
Certamente, a intervenção de um dos assistentes ocorreu em virtude do total desconhecimento do conteúdo do Regimento Interno da Câmara, que por sinal, ao que se sabe, ali não é e nem nunca foi sequer divulgado, mesmo que minimamente, para o conhecimento dos habituais frequentadores da Casa Legislativa.
Portanto, saibam todos que, palmas, comentários, indagações, ou qualquer outra forma de interferência popular são ali, terminantemente, proibidas. Espectador ou participante de reuniões, desde que não sejam vereadores, não devem de forma alguma se manifestar. Isto sim é a essência da democracia ali exercida.
Pergunta-se: Por que então, participar de uma reunião, se o comportamento esperado do partícipe, ainda que convidado a fazê-lo, é aquele conhecido como de ?Burro de Presépio?? Concordando ou discordando de qualquer decisão ou fala, ainda que esta seja a favor ou contra as suas convicções ou ainda, mesmo nos casos que lhe digam respeito, – (quase todas as matérias ali discutidas são sim, de grande interesse público e afetam diretamente a vida dos cidadãos formiguenses), – o máximo permitido ao que assiste a reunião é se demonstrar sua concordância ou não, por meio de um leve ?piscar de olhos ? oude um mínimo ?aceno de cabeça?.
É mesmo muito estranha esta exigência e o Legislativo, precisa, urgentemente, rever tais normas pois, seus edis, ali representam o povo e é mais que justo que este mesmo povo, cobre deles atitudes e ações pertinentes ao seus respectivos mandatos, em especial na hora em que questões sérias se tornarão leis.
Mas, voltando ao triste e ao mesmo tempo cômico episódio vivenciado naquela Casa, nesta segunda-feira, esclarecemos que tudo começou quando Josino Bernardes, presidente da Mesa, de repente, ao interferir na fala de um vereador, afirmou que o plenário parecia um circo. Um dos presentes, o fotógrafo Kiko Costa, indignado respondeu em alto e bom tom que palhaços é o que não faltavam naquele local.
?Palhaço é a sua mãe. Você me respeite, faça o favor de se retirar. Aqui não é a casa da Mãe Joana não. Então você espere lá de fora que vamos resolver de outro jeito. Chama o 190?, ordenou Josino Bernardes, ao pessoal da casa.
Em seguida, outro cidadão que estava no plenário, Belchior de Morais, saiu em defesa do fotógrafo e também se manifestou. O presidente da Casa se levantou foi até os presentes e aos gritos, pediu mais respeito.
Josino Bernardes continuou: ?Infelizmente, a gente tem que se exaltar. Você vai a uma audiência com o juiz e todo mundo respeita, vai a uma igreja e todo mundo respeita. Na Câmara, eles acham que isso aqui é a Casa da Mãe Joana. Qualquer cidadão inescrupuloso acha que pode vir aqui e desafiar a gente. Estamos aqui trabalhando e defendendo os interesses do povo. Eu não vou admitir isso aqui. Vir aqui para fazer palhaçada eu não aceito. Vocês dois são baderneiros e não aceito isso. Vou mandar fazer um BO contra vocês?.
O vereador (presidente) solicitou a presença da Polícia Militar no local e os demais, ao que parece estarrecidos, não emitiram nenhum som a favor ou contra o que presenciaram. Em poucos minutos cerca de 7 militares adentraram ao plenário para tentar apaziguar os ânimos, que por sinal, já estavam bem arrefecidos.
Josino Bernardes ainda leu o Regimento Interno da Câmara: ?De acordo com o artigo 174, os espectadores deverão guardar silêncio, não sendo lícito aplaudir os trabalhos no plenário. Com isso, o presidente da Câmara poderá fazer desocupar o local destinado ao público, inclusive integrando força civil, caso necessário?.
O vereador saiu novamente da mesa e foi até o fotógrafo. Eles foram para fora da Câmara, conversaram e acabaram se entendendo, em definitivo, mediante a intervenção de um jornalista e de um presidente de partido, ali presentes e que, atuando com ?bombeiros? fizeram o rescaldo do que sobrou do ?quase incêndio?.