Indústria e comércio já iniciaram os preparativos à espera do melhor período de vendas do varejo, o Natal. Mas, depois do balde de água fria que levaram no último ano, com o estouro da crise justamente no último trimestre e consequente desaquecimento da demanda, a cautela dos lojistas é grande, principalmente no que diz respeito ao reforço dos estoques, que já deveria estar a pleno vapor.
?Os pedidos do comércio ainda não estão chegando à indústria. No ano passado, em setembro, esse processo de encomenda já estava adiantado?, diz Lincoln Gonçalves Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Os pedidos agora estão a conta-gotas, ou seja, os lojistas querem parcelar as encomendas com receio de fechar o ano com estoque encalhado. A precaução faz com que a indústria mantenha baixos níveis de produção. ?O lojista que antes comprava 15 itens, agora vai comprar sete. Ele quer esperar vender para repor o estoque?, afirma Getúlio Guimarães, presidente do Sindicato das Indústrias de Bolsas do Estado de Minas Gerais (Sindibolsas).
A demanda por mão de obra temporária na indústria também é incipiente e apenas alguns segmentos iniciaram as contratações. ?A indústria de eletrodomésticos, principalmente linha branca, já reforça a equipe, mas tudo em nível ainda muito acanhado. Setores de bens de consumo como vestuário, indústria têxtil e alimentos estão com produção em andamento, mas a maioria das empresas está utilizando a capacidade instalada?, acrescenta Lincoln. O Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci), medido pela Fundação Getulio Vargas, subiu de 79,8% em julho para 81,3% em agosto, o percentual mais alto desde novembro do ano passado.
O nível de endividamento das empresas, superior ao ano passado, ainda pode dificultar os planos de investimento. ?Muitos empresários, principalmente os micro e pequenos, que têm mais dificuldades de acesso ao crédito, vão ter mais receio de comprometer o capital de giro com estoques acima da realidade de mercado. Principalmente levando em consideração as dificuldades que muitos enfrentaram no primeiro semestre, inclusive com queda de receita?, pondera Silvânia Araújo, coordenadora do Departamento de Economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio).
Para Gilson Oliveira, diretor comercial de uma loja de calçados, mesmo com um cenário mais positivo, a melhora dos negócios chega mais devagar à indústria, enquanto o comércio sente mais rápido os efeitos da recuperação. ?Por isso, estamos esperando um crescimento de vendas de 8% no varejo e de cerca de 4% na indústria?, avalia. O ritmo da produção para o segmento calçadista já começa a acelerar na próxima quinzena para que, na primeira semana de dezembro, todas as lojas já estejam abastecidas.
?Em geral, temos percebido que as lojas têm diminuído o interesse em acumular grandes estoques, mas não se trata de uma característica só do Natal. Com a possibilidade de ter uma reposição mais rápida, ninguém quer correr o risco de ficar com produto encalhado?, avalia Júnior César Silva, vice-presidente do Sindicato da Indústria do Calçado de Nova Serrana (Sindinova).
Com esse cenário, a expectativa da Fiemg é de que o Natal de 2009 ainda fique bem aquém do resultado alcançado no último ano. ?A indústria mineira, que acumula até agora queda de 10%, deve fechar o ano com, no mínimo, 5% de retração em relação a 2008. Apesar do cenário, há um sinal de melhora e estamos caminhando para a retomada?, avalia Lincoln.
Formiga
Comércio adia encomendas à indústria, mas aposta em vendas 30% maiores
- por Últimas Notícias
- 09/09/2009 - 13:03








