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Meditação por Oração Centrante

Foto: UN

Vi a interessante pesquisa “Fluxo Sanguíneo Cerebral Durante a Oração Meditativa”, de Andrew Newberg, realizada com três freiras praticantes da Oração Centrante e utilizando o tecnécio-99, que emite radiação gama, para visualizar o que acontece no cérebro. Como era uma pesquisa antiga e com poucas pessoas, pesquisei e encontrei o estudo de Sean Robertson (2022), que trato a seguir.

A Oração Centrante foca em uma simples palavra ou frase, que coloca na ação do amor e da cura por Deus. A Oração Centrante tem muitas semelhanças com as formas orientais de meditação.

Várias revisões sistemáticas mostraram benefícios médicos da meditação, como a de Albert Arias (“Systematic Review of the Efficacy of Meditation Techniques as Treatments for Medical Illness”, de 2006), que conclui, a partir de 82 estudos, que as práticas meditativas são amplamente eficazes no tratamento de condições médicas, como epilepsia, síndromes pré-menstruais e sintomas da menopausa. Os principais mecanismos de mudança são uma redução geral do estresse e uma melhora no funcionamento biofisiológico, isto é, no funcionamento imunológico e cardiovascular.

E ainda, David Black (“Sitting-Meditation Interventions Among Youth”, 2009) revisa 16 estudos com praticantes adolescentes de meditação e conclui que há um efeito positivo no funcionamento cardiovascular dos participantes, como a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Além desses, Bethanie Kok (“Meditation and Health”, em 2013) descreveu 31 estudos sobre práticas de meditação em ambientes de saúde médica, que mostraram que a meditação está associada a um aumento da resposta do sistema imunológico, melhora do funcionamento cardiovascular e diminuição da percepção da gravidade da dor.

David Wear Orme-Johnson e Vernon A. Barnes (“Effects of the Transcendental Meditation Technique on Trait Anxiety”, 2014) revisaram 14 estudos e relataram que a prática da meditação diminui a ansiedade-traço dos participantes. A diminuição é mais eficaz em populações com alta ansiedade (como indivíduos com TEPT, Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e é mais eficaz do que o tratamento usual.

A revisão sistemática de Katya Rubia (“The Neurobiology of Meditation and Its Clinical Effectiveness in Psychiatric Disorders”, 2009) concluiu, de forma semelhante, que o uso da meditação como intervenção para os transtornos psiquiátricos de ansiedade e depressão produziu uma diminuição dos sintomas para ambos.

E, no estudo de Sean Robertson, com 27 estudantes de graduação, de 18 a 23 anos, que praticaram 20 minutos de oração centrante por cinco dias, toda semana, durante cinco semanas, houve melhora nos sintomas de ansiedade e depressão, e os participantes permaneceram estáveis em sua satisfação com a vida. Eles também realizaram uma tarefa cognitiva de forma mais eficiente e responsiva em seus cérebros, corações e pele, com maior precisão e velocidade do que os demais estudantes.

Fica demonstrado (não era o objetivo) que o Padre Marcelo tinha razão ao rezar aquele Terço Bizantino, em que repete jaculatórias e utiliza temas próprios para cada dia da semana.

 

Mario Eugenio Saturno