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Em termos reais, o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais recuou 2,6% em 2016, em relação ao valor observado em 2015. Os dados são parte da série Indicadores CEI – Produto Interno Bruto – 4° Trimestre/2016, publicado pela Fundação João Pinheiro (FJP) na quinta-feira (6), no site da instituição.
Esse é o terceiro ano consecutivo de retração do PIB mineiro, tendência que reflete um contexto de desaceleração no nível de atividade econômica do Estado que já vem sendo observado desde o início da década.
Com isso, o PIB mineiro em 2016, em termos reais, foi 1,5% inferior àquele registrado em 2010. No entanto, é importante destacar que o resultado apresentado em 2016 aponta para uma situação menos ruim do que aquela observada em 2015, quando a retração foi de 4,3%.
De acordo com os dados, o setor agropecuário foi o principal responsável pela desaceleração na tendência de queda do PIB de Minas Gerais, tendo sido o único setor a apresentar variação positiva. Ainda assim, cumpre salientar que o comportamento do setor agropecuário é irregular, no sentido de que nem sempre acompanha a trajetória de desempenho das outras atividades econômicas, pois depende da ocorrência ou não de intempéries climáticas ao longo dos anos e se relaciona com o nível dos preços e de estoques das commodities agrícolas.
O resultado positivo do setor agropecuário em 2016, cujo pico de produção ocorreu no segundo trimestre do ano, pode ser creditado à expansão na quantidade produzida dos dois principais produtos da pauta agrícola mineira: o café arábica e a soja. A maior parte dos demais produtos agrícolas apresentou variação negativa, à exceção do alho, batata inglesa, cana-de-açúcar e feijão.
No caso do setor industrial, a retração de 6,0% em 2016 foi menor do que aquela registrada para 2015 (7,8%). No ano passado, a variação negativa da indústria de transformação se deveu a fatores tais como queda na fabricação de fumo, fraco desempenho da indústria metalúrgica e, principalmente, redução na produção de bens de capital e duráveis (veículos automotores e máquinas e equipamentos). Já em relação à indústria da construção civil houve acentuação da retração, explicada pelo excesso de oferta de unidades residenciais prontas e dificuldade de repasse para compradores finais, em um contexto de restrição de crédito e endividamento das famílias. Corroboram o resultado desfavorável da construção civil a queda na produção de produtos metálicos e de minerais não-metálicos, insumos da cadeia produtiva da atividade.
Ainda no que se refere ao setor industrial, dois subsetores chamam particularmente a atenção: um positivamente e outro negativamente. A variação positiva refere-se ao subsetor de energia e saneamento, que havia recuado 10,6% em 2015 e apresentou crescimento de 7,7% em 2016. Esse desempenho esteve relacionado à recuperação gradual dos reservatórios estaduais, sobretudo de Furnas, e sua interface com a matriz de geração hidroelétrica mineira, uma vez que pelo lado da demanda o consumo esteve enfraquecido.
A variação negativa refere-se ao subsetor da indústria extrativa mineral, que havia crescido 0,5% em 2015 e apresentou resultado negativo expressivo em 2016 (-11,2%). Pode-se dizer que esse segmento continuou sendo afetado pelos desdobramentos do rompimento da barragem de Mariana, pelo cenário de queda nos preços internacionais do minério de ferro ao longo do ano (apesar da melhora ocorrida no último trimestre) e pelo deslocamento da produção mineral para a região norte do país.
O setor serviços, responsável por aproximadamente dois terços do PIB de Minas, apresentou desaceleração no seu ritmo de queda: 2,8% em 2015 e 2,1% em 2016. Essa performance foi influenciada pelas retrações nas margens de comércio e de transporte, embora tenham caído menos em 2016 do que em 2015. Já o subsetor outros serviços (que inclui os serviços de alojamento e alimentação e de informação e comunicação; a intermediação financeira, seguros e previdência complementar; atividades profissionais, científicas, técnicas e administrativas; educação e saúde privada; serviços domésticos; serviços prestados às famílias com esporte, artes, cultura e recreação e as atividades imobiliárias e de aluguéis) teve queda mais acentuada do que aquela apresentada no ano anterior: -1,9% em 2015 e -3,1% em 2016.
Finalmente, merece destaque o fato de que, a despeito de ter apresentado resultado negativo por três anos consecutivos, o PIB mineiro, em 2016, caiu menos do que o PIB brasileiro (2,6% em Minas contra 3,6% no Brasil). Isto se deveu, sem dúvida, principalmente ao comportamento do setor agropecuário, que cresceu 6,6% em Minas e recuou 6,6% no conjunto do Brasil, e secundariamente ao comportamento do setor de serviços, que teve retração menos acentuada no estado (-2,1% contra -2,7% no país). Já a performance do setor industrial foi pior em Minas Gerais do que no Brasil como um todo, particularmente como reflexo do ocorrido no subsetor da extração mineral.
4° Trimestre de 2016
De outubro a dezembro de 2016, comparativamente ao trimestre imediatamente anterior, o PIB de Minas Gerais recuou 0,7%, na análise da série com ajuste sazonal. Esta retração foi generalizada para os três grupos principais de agregação da atividade econômica, a saber: agropecuária, indústria e serviços. Merece destaque a intensidade da retração da indústria de transformação mineira (-5,0%), assim como a recuperação da indústria extrativa mineral (crescimento de 2,4%). A queda do PIB brasileiro foi mais intensa, de 0,9%, na mesma ótica de comparação.
Considerações
Em novembro de 2016 a Fundação João Pinheiro em parceria com o IBGE divulgou o resultado definitivo do PIB de 2014, a retropolação na nova metodologia (referência 2010) para o período 2002-2009 e alguns ajustes pontuais nos resultados de 2010-2013 em razão de alterações nas Contas Nacionais com impactos nas Contas Regionais.
Nesta divulgação tanto a retropolação quanto os ajustes pontuais nos resultados de 2010-2013 e o resultado definitivo de 2014 foram incorporados às Contas Trimestrais do Estado. Como parte da inclusão dos dados retropolados e da reestruturação metodológica o segmento das Atividades Imobiliárias e de Aluguéis passaram a compor o agrupamento de Outros Serviços.
Na próxima divulgação, a Fundação João Pinheiro concluirá os aperfeiçoamentos metodológicos no PIB Trimestral de Minas Gerais e divulgará, pela primeira vez, os resultados nominais trimestrais tendo o ano de 2010 como ponto de partida (o ano de referência do novo Sistema de Contas Regionais). De qualquer forma, para além das observações acima, os resultados do biênio 2015-2016 ainda são preliminares e os cálculos são sempre revistos com dois ajustes principais: 1) atualização da estrutura de ponderação das atividades econômicas no valor adicionado da economia do Estado; e 2) substituição de projeções ou valores preliminares nas séries de dados primários utilizados no cômputo do PIB trimestral por valores consolidados pelas pesquisas estruturais e pelo Sistema de Contas Regionais (SCR-MG). Os procedimentos de revisão são semelhantes aos adotados pelo IBGE no que diz respeito às Contas Nacionais Trimestrais, e os resultados definitivos são divulgados usualmente com defasagem de dois anos.
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Fonte: Assessoria de Comunicação Fundação João Pinheiro||








