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A Operação Lava-Jato, iniciada no ano de 2014, está fazendo dezenas de investigações de notórios políticos brasileiros, envolvendo praticamente todos os partidos, desnudando os artifícios e mecanismos utilizados para financiamento das campanhas eleitorais milionárias no Brasil, que tornaram muitas das disputas e vitórias eleitorais geradas às custas de dinheiro de fonte duvidosa e ilegal.
São conhecidas as dificuldades dos profissionais envolvidos nas investigações, os quais têm de seguir procedimentos legais obrigatórios para fazer o levantamento de informações, sob pena de nulidade dos processos. Esta forma correta e legal de trabalhar, muitas vezes é entendida pela mídia como morosidade da justiça brasileira, mas os agentes públicos têm que obrigatoriamente, cumprir todos os passos legais, caso contrário, poderemos voltar aos tempos de barbárie de um estado não democrático.
Desde a divulgação no dia 12 de abril, pelo ministro do STF, Edson Fachin, da abertura de dezenas de inquéritos envolvendo muitos políticos importantes dos maiores partidos do país, o STF, na figura do ministro Gilmar Mendes vem se posicionando contra a divulgação das delações sigilosas e também a longa duração das prisões provisórias feitas na Operação Lava-Jato. Neste contexto, já iniciou o julgamento e determinou a soltura de acusados, como os recém soltos, o empresário Eike Batista, o pecuarista José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP, João Claudio Genu, por estarem com prisão provisória sem o devido julgamento ou mesmo não terem tido a condenação confirmada em segunda instância, culminando com a determinação no dia 2 de maio da libertação do ex-ministro José Dirceu, incrivelmente com o voto de desempate do ministro Gilmar Mendes, ferrenho crítico do PT. Estas ações caracterizam uma flexibilização do tratamento a ser dado pelo Judiciário para os acusados na Operação Lava-Jato.
A Operação Lava-Jato produziu desde o seu início mais de 100 mandados de prisão temporária, dezenas de prisões preventivas, centenas de mandados de busca e apreensão, centenas de mandados de condução coercitiva, conseguiu recuperar bilhões de reais para os cofres públicos e tem dezenas de inquéritos em apuração.
Acontece que a Operação Lava-Jato conseguiu chegar ao núcleo forte dos políticos brasileiros, alcançou todos os grandes partidos e políticos importantes, e, agora, gerou uma união entre eles em defesa de interesses comuns e, por fim, levou à adoção de diversas estratégias comuns, aparentemente legais.
Todos os presos e investigados estão agora, de forma unânime, dispostos a recorrer ao instituto da delação. Assim, as delações, um instrumento a ser utilizado excepcionalmente, passaram a ocorrer diariamente, fazendo o volume de dados a ser investigado, confirmado e averiguado somente aumentar, com o envolvimento sempre dos mesmos já investigados. Com isto, o trabalho que já era enorme, somente se avoluma.
As empresas, por sua vez, recorrem à assinatura de acordos de leniência e se prontificam a cooperar com as investigações, para, assim, poderem voltar a atuar no mercado, inclusive com participações em licitações públicas.
Estas ocorrências sufocam de volume de serviços a polícia federal e o poder judiciário, o que somente beneficia os investigados, pois com a necessidade legal de cumprir todos os passos de investigação, muitos crimes praticados acabarão prescritos e beneficiarão o mesmo grupo de políticos praticantes de atos de corrupção por décadas no Brasil.
Toda vez que é deflagrada nova fase da Operação Lava-Jato, é confirmada a tese de tentativa de sufocar de volume de serviço o trabalho dos profissionais envolvidos na operação, com a finalidade de beneficiar criminosos e prejudicar a punição dos crimes já investigados.
Os crimes dos políticos acusados na Operação Lava Jato são de caixa-dois, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com prescrição prevista de 12 e 16 anos, respectivamente, prazo contado a partir de ocorrido o crime, sendo que as pessoas com mais de 70 anos no momento da sentença, têm o prazo de prescrição reduzido pela metade. Nada melhor para os investigados do que as apurações se arrastarem por anos e, com isto, levar à impunidade dos acusados, principalmente pela prescrição dos crimes praticados.
Corremos o risco de não punição dos políticos envolvidos na Operação Lava-Jato e com isto este grupo poderoso de políticos continuará a dominar o cenário político, reelegendo-se, elegendo seus comparsas e continuando a ter força para a sua manutenção no poder, mostrando a nova cara do coronelismo moderno brasileiro, onde se ganha eleição pela força do dinheiro ilícito da corrupção.
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