Uma quadrilha especializada na clonagem de cartões de crédito está na mira da Polícia Federal nesta quinta-feira. O grupo de criminosos, que utilizava informações e números de cartões de terceiros, é suspeito de dar um rombo no faturamento das empresas aéreas, as principais prejudicadas no esquema fraudulento, de mais de R$ 2 milhões somente no ano passado. Em dois meses de investigações, os agentes identificaram mais de 500 passagens aéreas fraudadas.
Em Minas, um dos estados onde a quadrilha age, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão na cidade de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. A Operação Ícaro, como foi batizada, também foi deflagrada nos estados do Pará, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará.
As investigações começaram em novembro do ano passado a partir de uma denúncia feita por uma companhia aérea, ao perceber divergências no faturamento do aeroporto de Governador Valadares, principal área de atuação da quadrilha. A empresa verificou que, apesar da alta freqüência de passageiros nos seus voos, o faturamento e lucro haviam caído consideravelmente, por causa do uso de cartões de crédito clonados para pagamento das passagens. Após a apuração da denúncia, foram identificados 28 integrantes das ações criminosas.
O esquema
A quadrilha, segundo a PF, era bem dividida e cada grupo tinha uma função pré-determinada. A primeira parte, sediada em Belém (PA), era responsável pela captação dos números de cartão de crédito, usando nome das empresas de cartão Visa/Mastercard para obter informações dos clientes. Os estelionatários também se passavam por editoras de revista, também com objetivo de conseguir os dados.
A segunda parte do bando, também sediado em Belém, era responsável pela compra desses números de cartões de crédito, negociados entre R$ 3 e R$ 150. A terceira parte do grupo, sediado em Belém, Valadares, Belo Horizonte e na cidade do Rio, tinha a função de conseguir os compradores dos produtos de crime. O forte nas vendas eram as passagens aéreas, inclusive internacionais, mas a quadrilha também comercializava diárias em hotéis de luxo; ingressos em camarote para shows, como da cantora Beyoncé em sua apresentação na cidade de São Paulo; e ainda produtos dos sites de compras da internet.
Além dos 28 integrantes do esquema criminoso, foi indiciada também a gerente-geral da Caixa Econômica Federal de Valadares porque, de acordo com a PF, ela teria deixado vazar o conteúdo sigiloso das investigações.








