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Dia Nacional do Café é comemorado hoje

Nesta segunda-feira (24), é comemorado o Dia Nacional do Café . O presidente das Comissões de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, apresenta nova proposta do setor para a safra 2010 e afirma que, se a colheita recorde for ordenada e os financiamentos para estocagem de café forem fartos ,a cafeicultura viverá nova realidade. Em homenagem ao Dia Nacional do Café ele diz aos produtores que tenham esperança e persistência.
Segundo o presidente, o país vive uma safra de ciclo alto. O Brasil deve colher em torno de 47 milhões de sacas de café, sendo que Minas Gerais, o maior estado produtor e exportador de café, produzirá 50% da safra. As exportações estão com níveis interessantes. No ano passado, o país exportou mais de 30 milhões de sacas, o que deve se repetir em 2010, pois o consumo mundial cresce a taxas superiores a 2% ao ano. Todos os parâmetros da cafeicultura estão positivos.

Produtor ganha pouco
O grande gargalo é que os ganhos com exportação, aumento de consumo e qualidade infelizmente não chegam ao bolso do cafeicultor. Os produtores de café vendem o pouco que colhem para dar continuidade à colheita. Com grande oferta, em curto espaço de tempo, o mercado se abastece de forma desordenada e o preço cai. Termina a colheita, o café acaba, o preço sobe, e o produto, infelizmente, não está mais na mão do produtor.
O preço segue um círculo vicioso, todo excesso é prejudicial. Por isso, são propostas iniciativas para que o produtor estoque seu café e o comercialize em bom momento, para que o mercado se abasteça ordenadamente e o produtor seja remunerado para continuar produzindo.
A proposta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, validada por todas as representações do café, é formada por três pilares: Política de Financiamento, Política de Renda e o Equacionamento do Endividamento. O objetivo é organizar o descompasso que existe entre uma produção grande, colhida em cinco meses, e que deve ser ordenada nos próximos 18 meses.

Seguro
Para garantir a eficácia da proposta, foi incluído na Política de Financiamento um instrumento moderno e diferente: um seguro. A finalidade é incentivar que o Banco empreste ao produtor de café 100% do preço mínimo que é R$ 261,69. A condição é que o produtor estoque seu café em cooperativas ou armazéns legalmente credenciados, com prazo de até 540 dias para comercializar e escolher o momento de melhores preços. Sendo que 50% desse empréstimo venceriam nos próximos 360 dias, e os outros 50%, 180 dias após. Assim, seria encontrado um ciclo virtuoso. O produtor não vende a qualquer preço porque recebe financiamentos adequados e após a colheita com o financiamento proposto tem-se preços mais interessantes e competitivos.

Vantagens para todos
A expectativa é de que o café chegue a um patamar que remunere o produtor e que a cadeia ande. Essa proposta é uma política do ganha-ganha. As vantagens não serão apenas para o produtor. Os mercados internos e externos serão abastecidos com organização e equilíbrio. A safra bem conduzida gerará também receita cambial para todo o país.
O país tem mais de 30% do mercado mundial. Com exceção do Brasil e do Vietnã, os outros países estão com a cafeicultura estagnada e alguns com produção em declínio. Segundo a Faemg, o Brasil precisamos assumir o espaço de maior produtor e exportador, e segundo maior consumidor de café do mundo. Mas, para exercer a liderança no mercado mundial, são necessários leis e mecanismos internos que façam com que o produtor rural seja remunerado, continue a produzir e alcançar cada vez mais mercados.
O momento é da cafeicultura do Brasil. È necessário investir nessa cafeicultura, dar condições ao produtor de produzir e de obter ganhos com essa produção. Se a safra for ordenada e houver financiamento farto, na hora certa, o país viverá uma nova realidade na cafeicultura. É preciso que governo entenda, apóie e aprove em tempo recorde essa proposta que vai salvar o setor brasileiro e colocá-lo em um lugar que nunca poderia ter saído que é na liderança mundial.