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E por falar em eletrônica… O projeto de Chu Ming Silveira que transformou o orelhão em símbolo nacional

Imagem ilustrativa/IA

Em 1971, a arquiteta chinesa naturalizada brasileira Chu Ming Silveira desenvolveu para a Telesp um protetor acústico destinado aos telefones públicos. O equipamento, que ficaria conhecido como “orelhão”, foi concebido com base em princípios físicos de acústica para reduzir o ruído das ruas e melhorar a comunicação dos usuários.

O formato em ovo não tinha finalidade estética. Segundo o projeto, cada curva da estrutura foi desenhada para refletir o som ambiente para fora e concentrar a voz do usuário no interior do domo, criando uma barreira acústica natural. O resultado era um sistema capaz de minimizar interferências externas sem a necessidade de portas ou cabines fechadas.

Produzido em fibra de vidro, o domo funcionava como uma concha acústica. As ondas sonoras emitidas pelo usuário atingiam a superfície curva e eram refletidas de volta ao centro, enquanto o ruído do entorno era desviado. Para chegar ao desenho definitivo, Chu Ming Silveira testou diferentes curvaturas até encontrar o perfil considerado ideal para o equipamento.

O protótipo foi apresentado em 1971 e, no ano seguinte, teve início a produção em larga escala. Em 1972, cerca de 23 mil unidades foram instaladas na cidade de São Paulo.

A escolha da fibra de vidro se deu por características como leveza e resistência, adequadas ao clima tropical.

Apesar da ampla adoção do projeto, Chu Ming Silveira não recebeu, em vida, o reconhecimento proporcional à repercussão de sua criação. A arquiteta faleceu em 1997, quase anônima, enquanto o orelhão já havia se consolidado como um dos símbolos urbanos mais conhecidos do país.

O desenho também influenciou projetos de cabines telefônicas em outros países e estudos relacionados à acústica arquitetônica.

Com o avanço da telefonia móvel, os orelhões passaram a ocupar o lugar de relíquias urbanas. Ainda assim, cada unidade preserva a memória de uma solução de engenharia baseada em princípios acústicos, a trajetória de uma imigrante que se tornou brasileira e o legado de uma arquiteta que transformou a voz humana em elemento central de seu projeto.

 

Alexandre Bertozzi- Engenheiro eletricista e professor universitário. [email protected]