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Audiência na ALMG provocada por Arantes possibilita direito de resposta à juíza e a agentes

As comissões de Segurança Pública e Direitos Humanos se reuniram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no dia 30 de junho, a pedido do deputado Antônio Carlos Arantes/PSC para dar o direito dos atores políticos de São Sebastião do Paraíso colocarem suas opiniões sobre a postura e o trabalho da juíza da Vara Criminal daquele município, Edna Pinto, e de agentes penitenciários no que disse a respeito as denúncias de tortura de detentos no presídio da cidade. Como propositor, Arantes foi o primeiro a expor sua opinião. Segundo o parlamentar, há três anos, Paraíso estava sem controle. ?Enquanto havia protestos por parte da população, havia assaltos há poucos metros dali. Tínhamos uma média de quase 15 assassinatos por ano. Quando trabalhei na prefeitura por dois anos e três meses, não havia uma semana que não tínhamos que cuidar dos túneis provocados pelos presos que tentavam fugir da cadeia? , enumerou.
O deputado chegou a dizer que ?um porco no chiqueiro vivia melhor que o preso em Paraíso naquela época, não havia espaço para o preso dormir? . Então o parlamentar contou que, com os investimentos realizados pelo Governo de Minas, o trabalho rígido da juíza Edna Pinto, a criação da guarda municipal pela Prefeitura com o apoio incondicional da Câmara, os números se inverteram para melhor. Arantes relatou que, nos últimos 16 meses, foram registrados apenas dois assassinatos, um deles com suspeita de ter sido um suicídio. ?Hoje temos em Paraíso aquilo que chamávamos de utopia, uma sensação de segurança? . Ao terminar a sua fala, o parlamentar lamentou que a visita das comissões à cadeia de Paraíso realizada na surdina não tivesse a participação dele e de atores políticos importantes na cidade, interessados em saber das reais condições do presídio. ?Eu que sempre sou chamado para compor ás reuniões de Comissões de Direitos Humanos pela falta de quórum e por ser um deputado da cidade, teria que estar obrigatoriamente nesta visita, foi de se estranhar a condução desta visita? .
O presidente da Câmara de Paraíso, vereador Ailton Sillos/PSC disse que a cidade chegou a entrar em um estado de caos, mas depois que o Estado interveio em parceria com o Executivo, Legislativo e Judiciário o cenário de segurança mudou para melhor: ?Queremos mostrar a solidariedade ao trabalho que vem sendo realizado pela doutora Edna Pinto? . O vice-prefeito Márcio da Silveira endossou a palavra de Sillos.
O advogado Jefferson Rodrigues Faria, que defende o ex-diretor adjunto do presídio de São Sebastião do Paraíso, Oswaldo Rattis Júnior, ressaltou que seu cliente não teve direito de defesa nenhum e lamentou a ausência de Luciana Nobre da Corregedoria da Secretaria de Estado de Defesa Social, que ordenou na época a exoneração de Oswaldo, que poderia estar supostamente envolvido nas torturas dos pesos. Tanto o advogado como o próprio ex-diretor adjunto do presídio disseram que não ocorriam anormalidades no local e que lá sempre esteve aberto para todos verem o que era feito.
O pastor Cilas da Silva Campos, que trabalha recuperando detentos, testemunhou também na audiência a sua impressão positiva em relação a maneira ordeira e democrática conduzida pela juíza Edna Pinto. Na mesma linha de discurso, o presidente da OAB de Paraíso, Antônio Carlos Pelúcio, defendeu a conduta da magistrada, disse que, antes das medidas tomadas pela doutora Edna, o clima na cidade era bizarro e se mostrou indignado por não ter sido convidado a participar também da visita das comissões no presídio em Paraíso em maio deste ano.
O presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS), Bruno Terra, defendeu uma melhor estrutura de suporte de trabalho para as varas criminais e elogiou bastante as medidas de combate à criminalidade realizadas pela juíza Edna Pinto.