Em junho de 2000, os então chefes de estado dos Estados Unidos, Bill Clinton, e do Reino Unido, Tony Blair, anunciaram a finalização do primeiro rascunho do genoma humano completo, simultaneamente pelo PGH e Celera. Destacou-se, na época, que o conhecimento da informação genética humana promoveria descobertas que reduzirão o fardo da doença, melhorarão a saúde e a qualidade de vida de toda a humanidade?.
Já em 13 de julho de 2000, um artigo na revista científica Nature colocou o Brasil na corrida de um dos campos mais promissores da ciência contemporânea ? o sequenciamento de genomas. O desafio de identificar os genes da Xylella fastidiosa, uma bactéria que ataca laranjais, foi o embrião do projeto, referenciado como um grande feito da pesquisa nacional. Demorou dois anos e envolveu um ?instituto virtual? de 30 laboratórios ao custo de US$ 13 milhões, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Iniciado em 1990, pelo Projeto Genoma Humano (PGH), consórcio formado por diversos laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo, e posteriormente pela empresa concorrente Celera Genomics, esperava-se que, quando finalizado, o sequenciamento do genoma humano proporcionaria o rápido progresso em diversas áreas de estudo da saúde humana. Mas esta expectativa está longe de se concretizar.
Nestes 10 anos que se seguiram, avanços significativos na área genômica foram anunciados. Vários outros projetos ambiciosos foram criados, como o Enciclopédia de Elementos de DNA (ENCODE), que visa a identificar todos os elementos funcionais do genoma humano, e o HapMap, que pretende identificar polimorfismos no genoma. Mas o balanço desse período e de todos esses anúncios é marcado por incertezas, exageros e esperança.








