Formiga

Cada um com a fé no seu santo

As atenções para o clássico de domingo, às 18h30, em Uberlândia, estarão voltadas para dois personagens importantes: Montillo ? camisa 10 do Cruzeiro e considerado o craque do campeonato ? e Diego Tardelli, ausente das últimas rodadas e que retorna como esperança de gol para os atleticanos.
Apontado por muitos como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, o argentino Montillo caiu nas graças da torcida do Cruzeiro. Ex-jogador da Universidad do Chile, clube pelo qual se destacou na Libertadores deste ano antes de se transferir para o clube mineiro, o jogador deu entrevista ao diário Lance! ontem e não escondeu a satisfação pela rápida adaptação ao futebol brasileiro. ?Acho que as coisas estão se saindo bem, não só para mim, mas para todos os jogadores. A gente percebe um empenho muito grande de todos e, quando isso acontece, as individualidades de cada um acabam aparecendo?, afirma, humilde. ?Mas é claro que a adaptação foi rápida, melhor do que em outros clubes que passei. Quando cheguei ao Chile, demorei mais?.
Em relação à possibilidade de conquistar o título nacional logo em sua primeira temporada no Brasil, Montillo prefere adotar um discurso cauteloso. ?Temos de manter a mesma humildade de antes, até porque o campeonato muda bastante. Acho que, se continuarmos vencendo alguns jogos em sequência, podemos manter a distância para o Fluminense ou aumentar um pouco mais?, projeta. ?Se conseguirmos isso, vai ser possível pensar em título. Antes disso, é complicado?.
Montillo também falou sobre o sucesso de seus compatriotas Dario Conca, do Fluminense, e Guiñazu, do Internacional, no futebol brasileiro. ?Na Argentina, se perdeu um pouco do camisa 10. Lá, cada vez menos temos equipes que jogam com o 10. Guiñazu disse que no Brasil se respeitam o jogo bonito e as individualidades?, conta. ?Na Argentina, se usa muito a formação com duas linhas de quatro jogadores, e o camisa 10 se perde. Aqui se joga de uma forma diferente e, ainda bem, seguimos tendo lugar para jogar?.
Confiante que terá condições de jogar os 90 minutos no clássico, o atacante Diego Tardelli considera que está voltando ao Atlético no momento certo. ?Estou voltando em uma semana em que a equipe vem se recuperando e tem um clássico pela frente?.
Tardelli não joga pelo time atleticano desde 26 de setembro, na estreia de Dorival Júnior, na derrota para o Grêmio, por 2 a 1. O atacante fez o único gol atleticano, mas se lesionou na coxa direita, desfalcando a equipe nas partidas seguintes.
Animado com a expectativa de voltar ao time, o atacante diz que a semana de treinamentos está sendo importante para recuperar o seu preparo físico. ?Claro que não estou nas condições de todos os jogadores, que estão há muito tempo jogando às quartas e domingos, mas estou muito bem, me sinto bastante confiante para os jogar os 90 minutos?, ressaltou.
Tardelli, que passou as últimas semanas como torcedor, diz que é possível ver a evolução do Atlético. ?O trabalho do Dorival está sendo colocado em prática, ainda não tive a oportunidade de trabalhar durante a semana com o Dorival, mas a gente sabe que mudou o ambiente, o astral do grupo. Por isso, estamos fazendo bom jogo e só depende da gente sair dessa situação?, salientou.
O Atlético ocupa a 17ª colocação no Brasileiro, a primeira da zona de rebaixamento, com 31 pontos, e para deixar o grupo de risco depende não apenas de uma vitória sobre o Cruzeiro, como de tropeço de Atlético/GO ou Vitória, 16º e 15º colocados, que visitam Guarani e Botafogo, respectivamente.
Já o Cruzeiro é o líder da competição com 54 pontos, um à frente do Fluminense. Um tropeço diante do rival pode custar a liderança. Uma vitória mantém a equipe de forma isolada na ponta da tabela.