Lorene Pedrosa
Apenas 31 escolas públicas brasileiras que atendem alunos de baixo nível socioeconômico do ciclo 1 do ensino fundamental conseguiram manter a excelência do ensino ao longo de três edições consecutivas de uma pesquisa feita pela Fundação Lemann, Instituto CreditSuisseHedging-Griffo e Itaú BBA, a partir de dados da Prova Brasil. O resultado da última análise, referente a 2015, foi divulgado nesta terça-feira (19).
Dentre essas unidades de ensino está a instituição formiguense Escola Municipal Paulo Barbosa, que desde 2009, mantém a pontuação de 7.8 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), destacando-se entre escolas de todo o Brasil.
Em 2012, a escola venceu o Prêmio Excelência com Equidade, promovido pela Fundação Lemann, uma das responsáveis pela pesquisa divulgada nesta terça-feira, por ofertar ensino de qualidade para alunos de baixa renda.
Com os bons resultados apresentados nos últimos anos, que são os mesmos de escolas de primeiro mundo, a instituição de ensino que se destaca pelo envolvimento da comunidade, gestão comprometida, equipe motivada, ganhou destaque na mídia do estado em outubro de 2015.
De lá para cá, a busca por uma vaga na escola Paulo Barbosa aumentou e após reforma e ampliação das instalações, foi possível receber um número maior de alunos. Em 2015, a instituição atendia a 380 crianças, hoje são 460 alunos matriculados que cursam do 1º ao 5º ano.
O Últimas Notícias tentou falar com a diretora da escola, Juliana Abadia Teixeira que ocupa o cargo desde 2010, porém a mesma está em gozo de férias e retorna na próxima semana. Já a vice-diretora Ana Cláudia Gabriel Alves afirmou que a notícia sobre o resultado da escola na pesquisa ainda não havia chegado ao conhecimento da direção, mas que esta era uma excelente notícia.
Educação em Formiga
O Últimas Notícias ouviu o secretário adjunto de Educação, Alex Arouca sobre as estratégias que a gestão da pasta tem adotado para que as demais escolas municipais alcancem resultados tão positivos quanto a Escola Paulo Barbosa. Segundo Alex, é necessário respeitar a realidade de cada comunidade escolar, mas o diferencial está no tratamento igualitário a todas as escolas. “Observamos que na cidade há muitas escolas com condições estruturais muito inferiores que outras e são essas diferenças que temos que diminuir. O tratamento estrutural e pedagógico deve ser o mesmo. Assim, creio que os índices educacionais de todas as escolas vão melhorar”, comentou.
A pesquisa
No primeiro ano da pesquisa, em 2011, um grupo de 215 escolas foram consideradas excelentes. Elas estão dentro de um universo de 15 mil escolas que atendem alunos de 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Destas 215, só 54 se mantiveram neste ano, e apenas 31 apareceram nas três pesquisas (dos anos de 2011, 2013 e 2015).
“É um número baixo, gostaríamos de ter muito mais escolas. Poucas conseguem se manter no patamar que julgamos adequado. Não sabemos se é o perfil do aluno que muda ou se é a gestão, porque a régua não é rigorosa. Houve uma queda no Ideb e estamos tentamos entender o motivo”, diz Ernesto Martins Faria, coordenador do estudo.
O estudo aponta que, entre 2011 e 2015, mais de 80% das escolas que perderam a condição de excelência tiveram também uma diminuição no Ideb. O segundo critério que mais contribuiu para a queda de escolas no topo da qualidade foi o desempenho insuficiente em matemática, o que ocorreu com 63% dos alunos. Outros 35% tiveram desempenho insuficiente em língua portuguesa.
O mapeamento tem como base a Prova Brasil, um exame que avalia os conhecimentos dos alunos em matemática e língua portuguesa. O resultado do desempenho é um dos componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Minas Gerais
O mapeamento aponta que o estado de Minas Gerais é o que apresenta o maior número de instituições com excelência de ensino nos anos iniciais do ensino fundamental. São 11 no total, seguido pelo estado do Paraná, com 9 escolas.
Na região Centro-Oeste de Minas, figura ainda, além da escola Paulo Barbosa, a Escola Estadual José Teotônio de Castro, em Lagoa da Prata.
Escolas que atendem aos critérios ‘excelência com equidade’ em 2011, 2013 e 2015
- Professor Nazaré Varela – Amazonas – Carauari – estadual
- Dinorah Ramos – Ceará – Sobral – municipal
- Mocinha Rodrigues – Ceará – Sobral – municipal
- Raimundo Pimentel Gomes – Ceará – Sobral – municipal
- Emeferico Veríssimo – Mato Grosso – Lucas do Rio Verde – municipal
- Couto de Magalhães – Goiás – Corumbaíba – municipal
- Evangélica Monte Moria – Goiás – Goianésia – municipal
- Pingo de Gente polo – Mato Grosso do Sul – Nova Andradina – municipal
- Elisa Rabelo de Mesquista – Minas Gerais – Campo do Meio – municipal
- João Narciso – Minas Gerais – Congonhas – municipal
- Paulo Barbosa – Minas Gerais – Formiga – municipal
- Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira – Minas Gerais – Itaúna – municipal
- José Teotônio de Castro – Minas Gerais – Lagoa da Prata – estadual
- Frei Orlando – Minas Gerais – Morada Nova de Minas – estadual
- Monsenhor Sebastião Vieira – Minas Gerais – Paraisópolis – municipal
- Frei Leopoldo – Minas Gerais – Patos de Minas – municipal
- Professor José Luiz de Araújo – Minas Gerais – Rio Paranaíba – estadual
- Iracy José Ferreira – Minas Gerais – São Gotardo – municipal
- Professora Maria Aparecida Passos – Minas Gerais – São José da Barra – municipal
- Augusto Werner – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Duque de Caxias – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Erico Veríssimo – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Monteiro Lobato – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Olavo Bilac – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Osvaldo Cruz – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Vinicius de Moraes – Paraná – Foz do Iguaçu – municipal
- Idalina P Bonatto – Paraná – Medianeira – municipal
- São Francisco de Assis – Paraná – Siqueira Campos – municipal
- Presidente Tancredo Neves – Pernambuco – Tupanatinga – municipal
- Tobias Barreto – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – municipal
- Professor Jair Luiz da Silva – São Paulo – Junqueirópolis – municipal
Com informações do G1 e Estado de Minas








