Formiga

Alunos do IFMG fazem manifestação por melhor infraestrutura e condições de ensino

Alunos do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG – Campus Formiga), antigo Cefet, realizaram na noite de quarta-feira (30) um protesto estudantil no qual protestaram por alguns direitos, como melhor estrutura física, auxílio alimentação, auxílio xerox, horário da biblioteca mais acessível e, principalmente, o uso do microônibus que está parado no estacionamento desde o final de 2010, sem placa e exposto ao sol e chuva constantemente.
Os alunos marcaram o protesto no estacionamento do campus, em frente ao microônibus, munidos de cartazes e narizes de palhaços. Porém, a manifestação durou pouco, pois, quando outros estudantes ainda chegavam para se juntar ao grupo, o diretor do instituto, o professor Robson de Castro Ferreira, que segundo os manifestantes geralmente não é visto no campus no período noturno, chegou imediatamente próximo aos alunos, se colocando à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar as dúvidas.
Assim, o diretor pediu aos alunos que o acompanhassem até uma sala de aula vaga para que pudessem iniciar um diálogo. Na ocasião, os alunos apresentaram diversas reivindicações e sanaram as dúvidas sobre diversos assuntos.
Infraestrutura
Diversas reclamações foram apresentadas pelos alunos em termos de infraestrutura do campus do IFMG. O número de salas é insuficiente e algumas aulas estão tendo que ser realizadas no Colégio Anglo, no centro da cidade, em uma parceria feita entre as instituições. Muitas vezes, os alunos têm que se deslocar de um local para o outro para darem sequência às aulas, o que está gerando insatisfação, além de sacrificar os estudantes.
As salas de aula no instituto estão com infiltração; os banheiros estão precários, assim como a cantina e o estacionamento que, além de ser te terra, só podem ser estacionados os veículos dos professores, os alunos têm que deixar os carros na rua, porque o espaço é insuficiente para todos. Os laboratórios também são insuficientes para atenderem à demanda e, quando são ligados todos os computadores, cai a chave de energia.
O diretor do instituto admitiu que a estrutura física do atual campos é caótica e admitiu que houve falta de comunicação com os alunos em esclarecer sobre os diversos assuntos que motivaram a manifestação. Robson Ferreira explicou que o problema é que aquele prédio onde o campus está situado não foi projetado para a estrutura atual dos cursos e que outra obra para o novo campus começou a ser feita no bairro Vargem Grande, próximo à Escola Municipal Benedita Gomide Leite, mas sofreu atraso e foi embargada pelo Ministério Público.
A parte construída está parada até hoje, à disposição da Justiça, e foram gastos mais de R$900 mil na obra, que deveria ser entregue em março do ano passado. Mas diversas falhas foram apontadas e, só para reparar os erros, ficaria em cerca de R$2,8 milhões, segundo o diretor do IFMG.
Então, foi feita uma nova parceria com a Prefeitura, que doou um terreno próximo ao atual campus para a ampliação do instituto e para possibilitar a criação de novos cursos. O diretor disse que está em fase de elaboração da licitação para o novo prédio e acredita que, no segundo semestre deste ano, a empresa responsável pelas obras seja licitada.
Serão construídos novos prédios de dois e três andares, com mais salas de aula, laboratórios, salas de iniciação cientifica, monitoria e tutoria, será erguido também um novo almoxarifado e um refeitório com praça de alimentação, nova biblioteca e o estacionamento será ampliado para atender aos alunos, será calçado e urbanizado, conforme ressaltou Robson Ferreira.
O professor esclareceu que a transferência de aulas para o Anglo foi uma medida paliativa para que os alunos não ficassem sem aulas e para não atrasar os cursos em um semestre, mas que a questão será sanada o mais breve possível.
Microônibus
O diretor do IFMG explicou que o microônibus ainda não foi emplacado e está parado porque é preciso regularizar primeiro a situação junto à Secretaria de Fazendo do Estado. Não pode ser utilizado porque está sendo feito um cadastro do instituto de Formiga, que é um campus novo, para emitir a guia do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), para emplacar o veiculo a fim de possa ser usado para transportar os estudantes.
Os alunos questionaram que queriam utilizar o microônibus para participarem de um congresso, mas a informação obtida na coordenação do campus foi simplesmente de que o veículo não poderia ser utilizado e não foi explicado o porquê, o que deixou os alunos contrariados com a falta de esclarecimentos.
Biblioteca
Outra reivindicação dos alunos foi sobre o horário limitado de funcionamento da biblioteca, pois fecha às 21h durante todos os dias da semana. O diretor disse que podem estudar uma proposta para prorrogar o horário até as 22h, quando terminam as aulas, e que a proposta também é de que a biblioteca funcione até mesmo aos sábados.
Seguro
Os alunos também argumentaram que não estavam segurados. Entretanto, o diretor do IFMG disse que o seguro foi feito para todos os estudantes, porém, as carteirinhas e a documentação do seguro não haviam sido entregues pela empresa vencedora da licitação e que, na próxima terça-feira (5), representantes da seguradora estarão no campus para apresentar como funciona o seguro de vida e os benefícios.
O diretor informou ainda aos alunos que eles têm vários direitos, como auxílio moradia, auxílio alimentação, auxílio viagem e até mesmo auxílio creche, desde que apresentadas as documentações necessárias e se enquadrem no perfil, além de bolsas oferecidas, como de iniciação científica e de extensão. Porém, os alunos não haviam sido informados antes desses benefícios que podem solicitar.
Resultados
A expectativa é de que a manifestação dos alunos tenha resultados positivos, eles já comemoraram o fato de serem ouvidos pelo diretor do instituto, que disseram ser raramente visto pelos estudantes e que, devido ao protesto, se prestou a esclarecer sobre as diversas questões que os incomodam. Eles esperam ter um retorno o mais breve possível de atendimento às reivindicações.
O próprio diretor reconheceu a importância da manifestação como uma atitude de democracia e lutarem por seus direitos e, assumindo o erro em não ter estabelecido antes um canal de comunicação com os alunos, se colocou à disposição para sanar quaisquer dúvidas e problemas existentes.
Ao final da conversa, ficou decidido que os alunos devem enviar um ofício com todas as reclamações à secretaria do campus. O alunos esperam que sejam tomadas as atitudes necessárias por parte da organização do IFMG para resolver todas as questões apontadas.