Detentos que utilizam tornozeleiras eletrônicas afirmam que o sistema comete falhas na localização do preso. O portal de notícias G1 conversou com dois reeducandos do regime semiaberto no estado de São Paulo.
Eles deixam as unidades prisionais pela manhã para trabalhar e retornam à noite. Todo o trajeto está mapeado na central e é monitorado: desde o presídio até o ponto de ônibus, o caminho percorrido pelo veículo, o outro trecho a pé até o local de trabalho e todo o caminho de volta.
Além do acessório usado no tornozelo, o preso carrega uma espécie de rádio que pode ser usado para a central se comunicar com ele. O equipamento tem uma luz que indica o sinal de satélite e outra que se acende em caso de desvio da rota. A peça deve ficar junto com o detento ou distante no máximo 20 metros.
?É igual a um GPS de carro, não é 100%. Já aconteceu de me acordarem e falarem que eu estava no Rio de Janeiro ou em outros lugares?, diz Roberta* (nome fictício), de 26 anos. Esses dias estava constando no sistema deles que uma menina estava na África do Sul e ela estava na unidade?, conta.
Paulo* (nome fictício) diz que já teve que trocar oito vezes de tornozeleira. ?Na saída do Natal, falaram que estava constando como se eu estivesse na Nigéria. Ligaram na minha casa para confirmar que eu estava lá. Uma vez aqui no serviço ligaram e estava constando que eu estava em outro bairro?.
Roberta afirma que já viu colegas perderem o direito de trabalhar depois que o sistema as acusou erroneamente que terem saído da área permitida de circulação. O contrário, afirma, também acontece. Ela diz que já saiu da rota prevista e que o sistema não disparou o alarme apontando o desvio.
Outro problema, de acordo com os presos ouvidos pelo G1, é o sistema de acionamento em caso de fuga. ?Se um preso cortar a tornozeleira, acusa na central, depois vai para o fórum e só depois para a delegacia?, diz Roberta.
Ela se diz pessimista em relação à nova lei. ?Coitado de quem tiver que usar [como medida cautelar] porque toda hora vai ter que ir no fórum ou até vai correr o risco de ser regredido. Esse negócio é complicado. Acho que deviam procurar ver melhor porque às vezes punem as pessoas por causa de uma máquina.?
Já o detento acredita que a nova regra pode ser boa. ?A tornozeleira funcionando ou não, você já fica com o pé atrás se estão te vendo?, diz.
Para Roberta, que não usa mais short para não mostrar a tornozeleira, e para Paulo, que não usa mais bermudas, o sistema só constrange, mas não intimida a ponto de evitar uma fuga. ?Se a pessoa quiser fugir, ela tira e foge?, afirma Paulo.
Formiga
Sistema erra localização, dizem presos que usam tornozeleira
- por Últimas Notícias
- 04/07/2011 - 13:28








