Formiga

Exames de rua poderão ser filmados

Veículos utilizados nos exames de rua para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Minas Gerais poderão ser equipados com câmeras. A instalação dos equipamentos é objeto de um estudo realizado atualmente pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG).
De acordo com o chefe da Divisão de Habilitação e Controle de Condutor do órgão, delegado Anderson França, caso seja aprovado, o método será usado para impedir irregularidades e possibilitar que o candidato recorra caso não concorde com o resultado da avaliação.
Além das imagens, os equipamentos poderão gravar as conversas entre candidatos e examinadores dentro dos automóveis. Segundo o delegado, todo o material registrado durante a prova será enviado automaticamente para o sistema de dados do Detran.
Uma empresa paulista já estuda a viabilidade do monitoramento – um sistema similar está em fase de experimentação no Rio de Janeiro. França não soube informar o custo da implantação da tecnologia em Minas, e ainda não há previsão para a novidade, que ainda depende de autorização do Detran.
Logo após a aprovação, iremos abrir a licitação. Queremos ainda mais transparência nos exames, argumenta o delegado.
Opiniões
Para o examinador do Detran Geraldo Chaves, a instalação de câmeras será mais um instrumento de segurança para avaliadores e candidatos. Ele teme, no entanto, que futuros motoristas fiquem constrangidos com o monitoramento.
Acho que as pessoas vão ficar inibidas. Em compensação, teremos como comprovar o que houve caso o candidato questione o resultado, acredita Chaves.
O empresário Roberto Mauro Félix atua no ramo de auto escolas há dez anos e defende o monitoramento dos testes como uma forma de impedir as reprovações injustificadas. Os alunos nos contam que, às vezes, os argumentos dos examinadores para a reprovação nem sempre são justos. Eles têm o poder na mão. Aprovam e reprovam sem que o candidato possa argumentar nada, contesta Félix.
Reprovada nos dois exames de direção aos quais se submeteu, a advogada Angélica Almeida Miranda, 26, acredita que a gravação dos testes vai influenciar no comportamento dos avaliadores e proporcionar mais segurança aos candidatos. Eles fazem muita pressão na gente. Acho que a filmagem será positiva, pois teremos como contestar caso haja abusos, afirma.